PIB do Brasil, Caged e conflito no Irã: o que move os mercados
Os mercados chegam à terça-feira, 3, ainda sob a influência direta da escalada do conflito no Oriente Médio, que entrou em seu quarto dia e já assumiu contornos de guerra regional. Depois de um pregão de forte volatilidade na véspera, a pergunta que se impõe é se o alívio visto no fim da sessão passada terá fôlego ou se o noticiário geopolítico voltará a ditar o ritmo dos negócios.
Na segunda-feira, 2, o Ibovespa conseguiu se recuperar das mínimas e fechou com alta de 0,28%, aos 189.307 pontos, embalado principalmente pela disparada do petróleo e pelo avanço das ações da Petrobras.
O Brent subiu 6,68%, a US$ 77,74 o barril, enquanto o WTI avançou 6,28%, a US$ 71,23, em meio ao temor de interrupções no fornecimento global após a interdição do estreito de Ormuz. Mais de 150 petroleiros estariam parados na região, ampliando o prêmio de risco geopolítico.
O pano de fundo continua sendo a intensificação do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Na noite de segunda-feira, as Forças Armadas de Israel informaram o início de uma nova etapa de bombardeios contra Teerã.
A embaixada dos Estados Unidos em Riad, na Arábia Saudita, foi atingida por dois drones — sem vítimas, segundo a representação americana. O presidente Donald Trump declarou que o conflito foi inicialmente projetado para durar de quatro a cinco semanas, mas admitiu que a operação pode se estender além desse prazo.
Esse cenário mantém o petróleo no centro das atenções e sustenta a cautela nos mercados globais. Na avaliação de analistas, enquanto não houver sinal claro de normalização na região do Golfo, a commodity tende a permanecer pressionada, com reflexos diretos sobre moedas, inflação e expectativas de juros.
PIB no Brasil é destaque da agenda
No Brasil, o principal evento do dia é a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2025 e o consolidado do ano, às 9h. O dado, tanto na comparação trimestral quanto no acumulado do ano, é considerado crucial para medir o ritmo da economia no fim do ano passado e calibrar as projeções para 2026.
O PIB brasileiro deve encerrar 2025 com crescimento de 2,3%, após expansão de 3,4% em 2024, consolidando um ciclo de desaceleração registrado desde o terceiro semestre, segundo estimativas de economistas e relatórios consultados pela EXAME.
As projeções indicam estabilidade ou leve alta da economia no quarto trimestre. Na comparação com o terceiro trimestre, já com ajuste sazonal, as estimativas variam entre 0,1% e 0,3%. O resultado pode influenciar as estimativas de atividade e as apostas para os próximos passos da política econômica.
Ainda na agenda doméstica, às 7h sai o IPC-Fipe de fevereiro, e às 14h30 será divulgado o Índice de Evolução de Emprego do Caged de janeiro, indicadores que ajudam a compor o quadro de inflação e mercado de trabalho.
Exterior: inflação, BCs e petróleo no radar
No exterior, o dia começa com o discurso de Kazuo Ueda, presidente do Banco do Japão, à 1h, em um momento em que investidores acompanham atentamente os sinais das principais autoridades monetárias.
Na Europa, a agenda traz o balanço orçamentário do governo francês (4h45), a variação do desemprego na Espanha (5h) e uma bateria de dados de inflação da zona do euro às 7h, incluindo o índice cheio, o núcleo e a leitura mensal. Os números podem mexer com as expectativas sobre os próximos passos do Banco Central Europeu.
Nos Estados Unidos, investidores monitoram falas de membros do Federal Reserve (Fed): John Williams, às 11h55, e Neel Kashkari, às 13h45. Também será divulgado o índice IBD/TIPP de otimismo econômico, às 12h10. À noite, após o fechamento dos mercados, saem os estoques semanais de petróleo bruto medidos pelo API, às 18h30, dado relevante em meio à tensão no Oriente Médio.
Já na Ásia, a China divulga, às 22h30, os PMIs industrial, composto e de serviços de fevereiro, indicadores importantes para avaliar o ritmo da segunda maior economia do mundo e seus impactos sobre commodities e países emergentes.
Temporada de balanços
No campo corporativo, a agenda de resultados no Brasil traz os números de Auren e Raia Drogasil, que podem gerar movimentações específicas em seus respectivos setores.
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