PIB no Brasil, inflação na Europa e Fed: o que move os mercados
Os destaques macroeconômicos desta sexta-feira, 29, ficam concentrados em inflação na Europa, PIB do Brasil e Canadá, além de novos sinais sobre atividade econômica global e juros nos EUA.
O que acompanhar
No Brasil, o principal dado do dia é o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, divulgado às 09h pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A economia brasileira deve crescer 1% na comparação trimestral, acima do 0,1% registrado anteriormente, enquanto a alta anual deve ficar em 1,8%, em linha com o último resultado. O dado reforça a percepção de resiliência da atividade econômica, mesmo em um ambiente de juros elevados.
Ainda no cenário doméstico, às 8h, o mercado acompanha a divulgação do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que deve desacelerar para 0,80% em maio, abaixo dos 2,73% anteriores.
Já às 8h30, serão divulgados os dados fiscais do governo federal, incluindo o balanço orçamentário de abril, cuja projeção aponta déficit de R$ 49,8 bilhões, menor do que os R$ 199,5 bilhões registrados anteriormente.
Na Europa, os números de inflação também estarão no radar dos investidores. Na Alemanha, o índice de preços ao consumidor (IPC) será divulgado às 9h, com expectativa de manutenção da inflação anual em 2,9%.
França e Espanha também divulgam números de inflação ao longo da manhã, reforçando sinais de pressão inflacionária persistente na região e mantendo o mercado atento ao ritmo de cortes de juros pelo Banco Central Europeu (BCE).
Outro dado relevante vem da Alemanha às 4h55, quando a variação no desemprego deve ficar em 11 mil, abaixo dos 20 mil anteriores.
Nos Estados Unidos, os investidores acompanham falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed) ao longo do dia, incluindo Neel Kashkari às 3h, Michelle Bowman às 10h10 e Mary Daly às 13h40, em busca de pistas sobre os próximos passos da política monetária norte-americana.
Entre os indicadores econômicos, às 9h30 serão divulgados dados da balança comercial de bens e estoques no atacado dos EUA.
Já às 10h45, o PMI de Chicago de maio deve subir para 50,6, acima dos 49,2 anteriores, retornando ao território de expansão e reforçando a percepção de resiliência da economia norte-americana.
No Canadá, o PIB anualizado do primeiro trimestre será divulgado às 9h30, com expectativa de crescimento de 1,5%, revertendo dados anteriores mais fracos.
No mercado de commodities e posicionamento especulativo, os dados da CFTC serão divulgados às 16h30 e devem mostrar força em petróleo, ouro, soja e milho.
A agenda corporativa traz balanços de empresas ligadas aos setores de telecomunicações, varejo, transporte marítimo e manufatura, com investidores atentos a sinais sobre consumo global, custos operacionais e demanda internacional.
Entre os destaques está a Telekomunikasi Indonesia (TLK), maior empresa de telecomunicações da Indonésia. No varejo, a The Buckle (BKE) divulga os resultados do primeiro trimestre.
Já a Nordic American Tankers (NAT), do setor de transporte marítimo de petróleo, apresenta números em um momento de atenção às tarifas globais de frete. A American Woodmark (AMWD), fabricante de armários e móveis para cozinhas e banheiros, também traz seus resultados.
Por fim, a Genesco (GCO), dona de marcas de calçados e acessórios, divulga resultados sob expectativa de prejuízo no trimestre.
EUA e Irã negociam cessar-fogo
No cenário geopolítico, investidores acompanham os desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e Irã.
Segundo o site Axios, representantes dos dois países chegaram a um acordo para estender o cessar-fogo por mais 60 dias e iniciar discussões sobre o programa nuclear iraniano, embora a proposta ainda dependa da aprovação do presidente Donald Trump.
Apesar das tratativas diplomáticas, os ataques militares continuam na região. Nesta quinta-feira, 28, o Irã atacou uma base aérea norte-americana no Kuwait após ações militares dos EUA contra uma suposta operação iraniana com drones.
O episódio reforça a cautela dos mercados diante do risco de novas escaladas no Oriente Médio, especialmente pelos potenciais impactos sobre petróleo, inflação e ativos globais.
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