Pix fora do ar? Entenda como a nuvem da Amazon afeta bancos e pagamentos
Usuários relataram dificuldades para realizar transferências via Pix neste sábado, 7. Segundo o site DownDetector, foram registradas mais de mil reclamações ao longo do dia, principalmente relacionadas a falhas no carregamento das transações e mensagens de erro nos aplicativos bancários.
As queixas atingiram simultaneamente instituições como Santander, Nubank e Itaú, entre outras, indicando um problema que vai além de um banco específico. O padrão das reclamações sugere instabilidade em infraestrutura compartilhada.
Onde o Pix pode falhar
Quando o Pix apresenta instabilidade, o problema costuma surgir em um dos três pontos críticos do sistema: o banco de origem, o Banco Central (BC) — responsável pelo Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) — ou o banco de destino.
Em alguns casos, o aplicativo do banco não consegue sequer enviar a ordem de pagamento ao SPI, gerando telas de carregamento infinito ou falhas de conexão.
Em outros, o dinheiro sai da conta do pagador, mas a instituição recebedora demora a responder, colocando a transação em status de “em processamento”. Se não houver confirmação dentro do prazo definido, o valor é automaticamente estornado.
Há ainda situações em que o Pix é concluído, mas o usuário não recebe notificação ou comprovante, devido a falhas nos sistemas de comunicação do próprio banco.
O papel da Amazon Web Services
As instabilidades deste sábado coincidiram com relatos de problemas na Amazon Web Services (AWS), principal provedora de computação em nuvem usada por bancos e fintechs no Brasil.
A AWS hospeda sistemas essenciais do Pix, como processamento de transações, autenticação, criptografia e escalabilidade. Muitos bancos digitais e instituições tradicionais operam grande parte de sua arquitetura diretamente na nuvem da Amazon.
Empresas que fornecem o chamado core bancário — responsáveis por processar milhões de Pix diariamente para diferentes instituições — também utilizam a AWS.
Quando há lentidão ou falha em regiões específicas da nuvem, o impacto pode ser simultâneo em diversos bancos, criando um efeito cascata perceptível ao usuário final.
Sem posicionamento oficial
Até o momento, nem a Amazon nem o Banco Central se pronunciaram oficialmente sobre a origem exata da instabilidade. As instituições financeiras afetadas também não detalharam se houve indisponibilidade total ou apenas degradação temporária do serviço.
Dependência estrutural
Criado para operar 24 horas por dia, o Pix depende de alta disponibilidade e redundância tecnológica. Episódios como o deste sábado reforçam o grau de interdependência entre o sistema financeiro brasileiro e grandes provedores globais de nuvem.
Embora o modelo permita escala, velocidade e redução de custos, ele também concentra riscos. Quando a infraestrutura “invisível” falha, milhões de usuários sentem o impacto quase instantaneamente.
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