Plantas surgiram 20 milhões de anos antes do previsto, aponta estudo chinês

Por China2Brazil 24 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Plantas surgiram 20 milhões de anos antes do previsto, aponta estudo chinês

As primeiras plantas terrestres já estavam amplamente distribuídas há cerca de 445 milhões de anos, mais de 20 milhões de anos antes do que indicava a estimativa tradicional. A conclusão é de um estudo liderado pelo Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências, publicado em 24 de fevereiro na revista Nature Ecology & Evolution. A equipe analisou registros geoquímicos de sedimentos marinhos para identificar quando a vegetação começou a se expandir em larga escala nos continentes.

O surgimento das plantas em terra alterou o sistema terrestre. As plantas absorvem dióxido de carbono e liberam oxigênio por meio da fotossíntese. Além disso, o soterramento de seus restos orgânicos influencia a concentração de oxigênio na atmosfera e o clima. Por isso, definir quando a vegetação passou a ocupar grandes áreas em terra firme ajuda a entender mudanças ambientais de longo prazo.

Até então, estudos indicavam que a expansão em grande escala ocorreu há cerca de 420 milhões de anos. No entanto, a equipe liderada por Zhao Mingyu identificou evidências anteriores. Os pesquisadores analisaram a proporção entre carbono orgânico e fósforo total em sedimentos marinhos. Segundo o primeiro autor do artigo, Cai Jiachen, a matéria orgânica produzida por plantas terrestres apresenta proporção de carbono orgânico maior em relação ao fósforo do que a produzida por algas marinhas. Quando rios transportam esse material para o oceano, ele se deposita no fundo marinho e altera essa razão nos sedimentos.

Com base na análise de registros sedimentares de rochas marinhas de várias regiões, os cientistas constataram que a proporção carbono orgânico/fósforo começou a subir de forma consistente há cerca de 455 milhões de anos. A equipe interpreta esse aumento como sinal de maior produtividade terrestre associada à expansão inicial da vegetação.

Modelos híbridos indicam que, desde o Ordoviciano Superior, há aproximadamente 455 milhões de anos, o carbono orgânico de origem terrestre representava cerca de 42% do total encontrado em sedimentos marinhos. O valor se aproxima dos níveis atuais. As análises em escala paleocontinental também sugerem que a expansão pode ter começado na Laurência, região que corresponde hoje à América do Norte e áreas vizinhas.

O estudo identificou ainda dois aumentos relevantes na razão carbono orgânico/fósforo durante o Ordoviciano Superior. Esses picos coincidem com duas anomalias importantes nos isótopos de carbono registradas no mesmo período. Os pesquisadores afirmam que a maior entrada de matéria orgânica terrestre, rica em carbono e pobre em fósforo, favoreceu o soterramento global de carbono orgânico. Como resultado, os níveis de oxigênio atmosférico aumentaram e as concentrações de dióxido de carbono diminuíram.

Segundo os autores, esse processo pode ter intensificado a oxidação da superfície terrestre há cerca de 455 milhões de anos. Além disso, pode ter contribuído para a glaciação e para eventos de extinção em massa registrados no Ordoviciano Superior. O estudo amplia o debate sobre o papel das primeiras plantas nas transformações ambientais do planeta e reforça a relação entre evolução da vida e mudanças no clima ao longo do tempo geológico.

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