Por que a bolsa de valores sobe mesmo com a guerra entre EUA e Irã?

Por Ana Luiza Serrão 22 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Por que a bolsa de valores sobe mesmo com a guerra entre EUA e Irã?

Wall Street está desafiando tensões geopolíticas e retomando níveis recordes no mercado de ações ao mostrar sinais de superação diante do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado no fim de fevereiro.

Grandes índices como Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq já recuperaram perdas de mais de 7% registradas no início das hostilidades e voltaram a níveis acima dos observados antes da escalada dos ataques no Oriente Médio.

Apoiam o movimento a confiança na resiliência dos EUA, as estratégias de negociação de curto prazo e a leitura de que o governo agirá se houver maior deterioração nos ativos, segundo fontes ouvidas pelo Wall Street Journal (WSJ).

Comprar na queda

Investidores do mercado acionário, tanto individuais quanto institucionais, têm aproveitado os episódios de volatilidade para aumentar exposição.

Dados compilados pela FactSet e divulgados pelo WSJ mostram que quatro das cinco maiores altas diárias do índice S&P 500 em 2026 ocorreram justamente durante a guerra no Irã.

Para o diretor de investimentos da Hamilton Capital Partners, Alonso Munoz, a disposição do governo em flexibilizar posições diante de turbulências cria um ambiente favorável à compra em quedas.

O cenário abriu uma janela que chamou de "Dia da Libertação" para os preços, levando à compra de dezenas de milhões de dólares em ações como Tesla, Amazon e Oracle.

Petróleo: volatilidade

Por outro lado, o petróleo segue como um dos principais vetores de oscilação desde o fim de fevereiro. Nesta semana, o barril chegou a atingir os US$ 100, cerca de 10% a mais em meio à estagnação das negociações.

O chefe global da DV Commodities, Sean Lambert, descreveu um ambiente de muita pressão, em que contratos futuros chegaram a saltar 31% em poucas horas na abertura de uma sessão de domingo.

Com o volume de informações elevado o preço acaba falando mais alto, na sua avaliação à Reuters. "Ao negociar, não importa se algo é real ou não. O que o preço está fazendo é a principal referência."

Entenda o TACO trade

Ganha espaço a ideia de que há um padrão na reação da Casa Branca a momentos de estresse, apelidado de "TACO trade" (Trump Always Chickens Out, algo como "Trump sempre amarela" em português).

O presidente costuma recuar ou aliviar medidas mais duras quando percebe risco para a economia, e isso faz investidores se sentirem mais seguros para assumir mais risco.

O engenheiro civil Danner Drake, por exemplo, realocou cerca de 10% de suas economias de fundos tradicionais para produtos alavancados após a correção de março, conforme a Reuters.

Fôlego limitado?

Esta mentalidade é reforçada por dados que mostram o grupo das "Magnificent 7", ou seja, as gigantes de tecnologia, ganhando US$ 2,5 trilhões em valor de mercado em apenas oito dias de negociação.

O estrategista da Nationwide, Mark Hackett, define as últimas semanas como "uma aula sobre como emoções e comportamento coletivo podem amplificar movimentos de mercado."

Ele ressalta, porém, que ralis sustentados apenas por fatores técnicos têm fôlego limitado e, em algum momento, os fundamentos voltam a pesar.

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