Por que a Copa do Mundo 2026 pode ser a mais imprevisível
A Copa do Mundo de 2026 será a maior da história. Pela primeira vez, o torneio contará com 48 seleções e 104 partidas, um salto significativo em relação aos 32 participantes e 64 jogos da edição anterior.
A mudança promovida pela Fifa promete transformar diversos aspectos da competição, desde a fase de grupos até a disputa pela artilharia.
Com 12 grupos e uma inédita fase de 32 avos de final, o novo formato cria cenários que jamais foram vistos em Mundiais. Para o The Athletic, algumas consequências já podem ser previstas antes mesmo da bola rolar nos Estados Unidos, México e Canadá.
Seleções menores podem dificultar a vida dos favoritos
A tendência é que os estreantes e as seleções consideradas mais frágeis adotem uma postura extremamente defensiva diante das grandes potências.
Embora equipes como Haiti, Jordânia, Iraque ou Cabo Verde apareçam como azarões, a expectativa é que consigam evitar goleadas expressivas ao se fecharem contra os favoritos de seus grupos.
Em contrapartida, os confrontos diante de adversários mais equilibrados podem se tornar decisivos na luta pela classificação.
Com a possibilidade de avançar entre os melhores terceiros colocados, uma única vitória pode ser suficiente para garantir vaga no mata-mata. Isso deve fazer com que muitas equipes priorizem resultados apertados em vez de buscar atuações ofensivas.
Corrida pela artilharia pode ganhar novos candidatos
A ampliação da competição também pode alterar a disputa pela Chuteira de Ouro. Tradicionalmente, os maiores artilheiros costumam pertencer a seleções que chegam às semifinais ou à final, já que disputam mais partidas ao longo do torneio. No entanto, o novo formato oferece uma oportunidade diferente.
Agora, equipes que alcançarem as quartas de final disputarão mais jogos do que em edições anteriores, aumentando o número de oportunidades para os atacantes. Além disso, a presença de seleções menos competitivas pode favorecer goleadas na fase inicial e inflar os números de alguns jogadores.
Dessa forma, não está descartada a possibilidade de um artilheiro surgir de uma seleção que não avance às fases decisivas da competição.
Fase de grupos corre risco de perder importância
Outro efeito da expansão está relacionado ao peso dos jogos iniciais. Serão 72 partidas apenas na fase de grupos, número superior ao total de jogos de algumas edições completas da Copa do Mundo. Como oito das 12 seleções que terminarem em terceiro lugar também avançarão ao mata-mata, a margem para erros será maior.
Na prática, isso reduz a pressão de determinados confrontos e pode fazer com que a fase de grupos seja encarada mais como uma etapa classificatória do que como uma fase decisiva do torneio.
Mata-mata deve aumentar as chances de zebra
Se a fase de grupos tende a perder parte da sua relevância, o novo mata-mata pode compensar esse cenário.
A introdução da fase de 32 avos de final cria mais confrontos eliminatórios e, consequentemente, mais oportunidades para surpresas. Diferentemente do que acontece na fase de grupos, um resultado inesperado em jogo único pode eliminar imediatamente uma das favoritas ao título.
Um exemplo citado pelo estudo é a vitória da Arábia Saudita sobre a Argentina na estreia da Copa de 2022. Naquele torneio, os argentinos tiveram tempo para se recuperar e acabaram campeões. Em 2026, um tropeço semelhante em uma fase eliminatória significaria adeus imediato.
África pode ser a grande beneficiada
Entre todas as confederações, a África aparece como a principal favorecida pela ampliação do torneio.
O continente passou de cinco para dez vagas, aumentando significativamente suas chances de protagonismo. Embora seleções africanas tenham produzido campanhas marcantes ao longo da história, como Camarões em 1990, Senegal em 2002, Gana em 2010 e Marrocos em 2022, a concorrência interna sempre foi uma das mais difíceis do mundo.
Com mais representantes, cresce também a possibilidade de equipes africanas alcançarem fases avançadas e deixarem uma marca ainda maior na competição.
Rodízio deve se tornar ainda mais comum
A maratona de jogos também pode alterar a gestão dos elencos. Com oito partidas possíveis até a final, os treinadores devem recorrer ainda mais à rotação dos jogadores, especialmente durante a fase de grupos. O calendário mais longo, as condições climáticas e a diferença de nível entre alguns adversários favorecem mudanças frequentes nas escalações.
Além disso, o torneio oferece mais espaço para ajustes táticos ao longo da campanha. A Argentina, campeã em 2022, utilizou praticamente todo o elenco durante sua caminhada até o título, estratégia que pode se tornar ainda mais comum na Copa de 2026.
Se as previsões se confirmarem, o novo formato não apenas aumentará o número de jogos. Ele também pode mudar a maneira como seleções, treinadores e torcedores enxergam a principal competição do futebol mundial.
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