Por que a Copa do Mundo 2026 reúne tantos técnicos da elite do futebol

Por Maria Luiza Pereira 13 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Por que a Copa do Mundo 2026 reúne tantos técnicos da elite do futebol

A Copa do Mundo de 2026 apresenta um cenário pouco comum na história recente do torneio: a presença de um número significativo de treinadores que ainda estão entre os profissionais mais valorizados do futebol mundial.

Diferentemente de muitas edições anteriores, nas quais diversas seleções eram comandadas por técnicos em fim de carreira ou afastados da elite do futebol de clubes, o Mundial deste ano reúne estrategistas que até recentemente disputavam os principais títulos da Europa.

Quando a seleção era vista como o último capítulo

A comparação com a Copa do Mundo de 2010 ajuda a explicar essa mudança. Naquele torneio, realizado na África do Sul, nomes consagrados como Vicente del Bosque (Espanha), Fabio Capello (Inglaterra), Marcello Lippi (Itália) e Ottmar Hitzfeld (Suíça) acumulavam títulos importantes no currículo, mas já não ocupavam posições de destaque nos principais clubes europeus.

O comando de seleções era frequentemente encarado como uma etapa final da carreira. Muitos treinadores viam a oportunidade de disputar uma Copa do Mundo como uma realização pessoal, mas raramente retornavam ao mais alto nível do futebol de clubes após suas passagens pelas equipes nacionais.

Uma nova geração de nomes de peso

O panorama atual é bastante diferente. Técnicos como Julian Nagelsmann (Alemanha), Thomas Tuchel (Inglaterra) e Mauricio Pochettino (Estados Unidos) continuam sendo considerados candidatos naturais a vagas nos principais clubes da Europa.

O maior destaque, claro, é Carlo Ancelotti, um dos treinadores mais vitoriosos da história do futebol e assumiu a Seleção Brasileira apenas dois anos após conquistar mais uma Liga dos Campeões pelo Real Madrid.

A influência de Conte e Luis Enrique

A transformação começou a ganhar força na última década. Em 2014, Antonio Conte surpreendeu ao deixar a Juventus, então dominante no futebol italiano, para assumir a seleção da Itália.

A decisão foi vista como incomum na época, mas acabou abrindo caminho para uma nova visão sobre o futebol de seleções. Após a Eurocopa de 2016, Conte retornou ao futebol de clubes e conquistou a Premier League com o Chelsea logo em sua primeira temporada.

Algo semelhante ocorreu com Luis Enrique, que alternou passagens entre clubes de elite e a seleção espanhola sem que isso fosse interpretado como um retrocesso em sua carreira.

O futebol de seleções voltou a ser atraente?

O próprio desenvolvimento do futebol moderno pode ajudar a explicar essa tendência. Nos clubes, o jogo tornou-se mais intenso, com pressão constante, transições rápidas e um calendário cada vez mais apertado.

Nesse ambiente, muitos treinadores encontram dificuldades para implementar mudanças profundas durante as partidas. Já no futebol de seleções, apesar do menor tempo de preparação, algumas decisões estratégicas podem ter impacto mais evidente.

Mudanças de sistema, ajustes posicionais e substituições específicas costumam exercer influência significativa em torneios curtos, ampliando o peso das decisões dos treinadores.

Entre os técnicos presentes na Copa de 2026, poucos simbolizam essa renovação tão claramente quanto Nagelsmann. Aos 38 anos, o treinador alemão é frequentemente apontado como um dos estrategistas mais inovadores do futebol atual. Sua presença mostra que as seleções passaram a atrair profissionais em fases mais precoces da carreira, algo que raramente acontecia em Mundiais anteriores.

Isso não significa, porém, que os treinadores mais renomados necessariamente serão campeões do mundo. A Argentina, comandada por Lionel Scaloni, conquistou a última Copa do Mundo mesmo tendo à frente um técnico que não havia construído uma trajetória de destaque no futebol de clubes antes de assumir a seleção.

Já Luis de la Fuente levou a Espanha ao título da Eurocopa após uma longa carreira nas categorias de base da federação espanhola, sem passagens relevantes pelos principais clubes do país.

Outro exemplo é Didier Deschamps, que permanece no comando da França desde 2012 e construiu sua trajetória de sucesso principalmente à frente da seleção, conduzindo os franceses a duas finais consecutivas de Copa do Mundo e ao título em 2018.

Estrelas fora das quatro linhas

As Copas do Mundo continuam sendo decididas principalmente pelos jogadores. Ainda assim, a edição de 2026 oferece um diferencial raro. O nível dos treinadores é uma das características que mais diferenciam a Copa de 2026 de edições anteriores. Poucas vezes neste século tantas seleções chegaram a um Mundial comandadas por profissionais que continuam entre os nomes mais influentes do futebol internacional.

Thomas Tuchel, técnico da Inglaterra, durante amistoso contra o Japão no estádio de Wembley, em Londres, em março de 2026. ( (Foto: Justin Setterfield/Getty Images) )

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