Por que Apple, Amazon e Google podem escapar da 'morte do streaming de música'
Nem todo mundo está no mesmo barco no streaming de música. Enquanto parte do mercado discute limites do modelo, Apple, Amazon e Google operam com uma vantagem estrutural.
Para essas empresas, a música não precisa dar lucro direto. O serviço funciona como peça de um ecossistema maior, ligado à venda de dispositivos, assinaturas e outros produtos.
Segundo o empresário Joel Gouveia, isso muda a equação financeira. O modelo do setor prevê que cerca de 70% da receita seja repassada a gravadoras, editoras e detentores de direitos, o que faz com que os custos cresçam junto com o consumo.
Isso significa que, segundo ele, plataformas independentes, como o Spotify, enfrentam maior pressão sobre margens, já que dependem diretamente da rentabilidade do streaming.
Já as big techs operam com outra lógica. A Amazon usa a música para reforçar o Prime. A Apple integra o Apple Music à estratégia de venda de dispositivos.
Segundo Gouveia, essas empresas não precisam que suas plataformas de música sejam altamente lucrativas, o que reduz o impacto das limitações do modelo.
Modelo pressionado e falta de diferenciação
O debate sobre a sustentabilidade do setor ganhou força após declarações de Jimmy Iovine, cofundador da Beats, que afirmou que os serviços de streaming podem se tornar obsoletos.
Entre os fatores apontados está a falta de diferenciação entre plataformas. Serviços como Spotify, Apple Music, Amazon Music e Tidal oferecem catálogos semelhantes, com cerca de 100 milhões de músicas.
Diferentemente do streaming de vídeo, que depende de conteúdos exclusivos, o mercado de música opera com produtos praticamente idênticos.
Além disso, o modelo financeiro limita ganhos de escala. Ao contrário de empresas de tecnologia tradicionais, o crescimento da base de usuários não dilui custos.
Cada reprodução gera pagamento a gravadoras e editoras, o que mantém os custos alinhados ao volume de consumo.
Crescimento mantém setor em operação
Apesar das críticas, os dados indicam expansão do setor. O Spotify alcançou 751 milhões de usuários ativos mensais no quarto trimestre de 2025, alta de 11% na comparação anual.
A base de assinantes Premium chegou a 290 milhões, avanço de 10%.
A Alphabet, com o YouTube Music, superou US$ 60 bilhões em receita anual, com crescimento de 17%. As assinaturas ultrapassaram 325 milhões de usuários pagos.
Na Apple, o segmento de serviços — que inclui o Apple Music — atingiu receita recorde dentro do faturamento trimestral de US$ 143,8 bilhões.
A Amazon registrou US$ 13,1 bilhões em receita com serviços por assinatura no quarto trimestre, alta de 14%.
Mesmo com questionamentos sobre sustentabilidade, o setor mantém crescimento e segue sem consenso sobre mudanças estruturais no curto prazo.
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