Por que as eleições da Colômbia podem ser um laboratório para a disputa no Brasil?

Por Rafael Balago 29 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Por que as eleições da Colômbia podem ser um laboratório para a disputa no Brasil?

Bogotá - Os colombianos vão às urnas neste domingo, 31, para o primeiro turno das eleições presidenciais, em uma disputa que tem vários elementos parecidos com os da disputa presidencial do Brasil.

No país, um governo de esquerda busca se manter no poder após implementar mudanças sociais, como o aumento do salário mínimo, mas enfrenta candidatos de direita que defendem a linha dura na segurança pública. Veja abaixo quatro pontos em comum entre as disputas nos dois países.

Esquerda busca reeleição com propostas sociais

A Colômbia hoje é governada por Gustavo Petro, de esquerda. Ele não pode se reeleger e o senador Iván Cepeda disputa a eleição presidencial defendendo seu legado, marcado por mais benefícios sociais, como um forte aumento do salário mínimo.

Cepeda defende seguir avançando com as reformas de Petro, como aumentar os impostos sobre grandes fortunas e retirar benefícios fiscais de empresas, para custear programas sociais, além de aumentar o acesso à saúde pública e valorizar pequenos produtores rurais.

Candidato de direita diz ser de fora do sistema

Pela direita, está Abelardo de la Espriella, um advogado milionário que encarna o estilo de Donald Trump. Ele promete uma mão firme contra o crime, deixa claro que nunca teve um cargo público antes e que viria de fora do sistema. Também aposta no culto à personalidade. Na campanha, adotou o apelido de Tigre, assim como Javier Milei na Argentina usa a de um leão.

Espriella, de 47 anos, defende ainda pautas conservadoras, como restringir o aborto, e coloca a eleição como uma defesa da pátria frente a adversários que querem destruí-la.

Cartaz de campanha de Abelardo de la Espriella em Cali (Joaquin Sarmiento/AFP)

Direita moderada vai mal em pesquisas

O terceiro nome mais citado na disputa é o da senadora Paloma Valencia. Apoiada pelo ex-presidente Gustavo Uribe, ela está em terceiro lugar nas pesquisas, e em tendência de queda. Segundo os últimos levantamentos, feitos a uma semana da eleição, como manda a lei, ela tinha em torno de 14% dos votos.

Valencia também defende um combate mais duro contra o crime, mas também aumentar salários, reduzir gastos públicos e combater a corrupção.

Segurança pública em destaque na pauta

Segundo pesquisa feita pela Invamer/Caracol Noticias, a segurança é a principal preocupação dos colombianos, citada por 40,8%. A taxa de homicídios no país é de 25,8 por 100 mil habitantes, uma das mais altas do mundo. No Brasil, é de 19,2. Em 2025, 14 mil pessoas foram mortas na Colômbia.

Os dois candidatos de direita dão destaque ao combate ao crime. Espriella defende inspirar-se no modelo de El Salvador, que restringiu direitos, construiu uma megaprisão e fez detenções em massa.

Valencia defende uma abordagem focada em aumento do efetivo policial, mais investimentos em investigação e aumento do controle nas zonas mais críticas.

Cepeda, o candidato do governo, defende que o crime seja combatido via desmonte de suas redes financeiras. Ele também defende maior justiça social e quer manter as tentativas de diálogo com grupos criminosos e milícias que atuam especialmente no interior do país, embora as conversas não tenham avançado nos últimos anos.

Como estão as pesquisas na Colômbia?

Todas as principais pesquisas mostram Cepeda na frente no primeiro turno e uma disputa pelo segundo lugar entre Espriella e Valencia.

Segundo a AtlasIntel, Cepeda tem 39% dos votos, Espriella 37% e Valencia, 14%.

Para a Invamer, Cepeda tem 45%, Espriella 32% e Valência, 14%.

Em todos os estudos, haverá segundo turno, a ser disputado em 21 de junho. As pesquisas mostram um cenário apertado nesta etapa. Cepeda vencería, segundo a Invamer, por 52% a 45%. Já Espriella vence na AtlasIntel, com 50% a 41%.

"As limitações de Cepeda estão se tornando mais visíveis a cada dia, e parece cada vez mais improvável que o impulso que Espriella criou vá se dissipar em 3 semanas", diz análise da consultoria Aurora Macro Strategies.

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