Por que essa bolsa da Coach virou febre no modelo presencial?
A busca por um guarda-roupa corporativo mais polido e elegante no ambiente presencial provocou uma reviravolta inesperada no mercado de acessórios de luxo. E a culpa é do filme O Diabo Veste Prada 2.
Cansados das mochilas utilitárias de nylon que dominaram o período pós-pandemia, profissionais de Nova York a São Paulo estão recorrendo a plataformas de segunda mão para resgatar um clássico dos anos 1980 e 1990: as pastas executivas de couro da Coach.
A volta da bolsa vintage virou tendência após a divulgação das imagens de bastidores e a estreia, em maio de 2026, do aguardado filme O Diabo Veste Prada 2. No longa, a atriz Anne Hathaway aparece cruzando as ruas de Nova York com uma pasta Coach Metropolitan em tom de couro natural.
O impacto cultural foi imediato. Dados da plataforma global Lyst apontam que, enquanto a procura por bolsas femininas tradicionais recuou 5,5%, as buscas específicas por maletas e pastas executivas (briefcases) saltaram 14% depois da divulgação das imagens.
O movimento ajuda a explicar os resultados financeiros da holding Tapestry, dona da Coach, que registrou uma alta de 19% de receita no terceiro trimestre, impulsionada justamente pelo reposicionamento da marca entre os consumidores millennials e da Geração Z.
Coach Business Bag: a bolsa que virou febre nos Estados Unidos
A evolução do clássico: do couro rígido ao slow fashion
O mercado de pastas de trabalho é historicamente engessado. Entre as décadas de 1950 e 1980, as maletas rígidas do tipo attaché ditavam a regra do ambiente corporativo. A Coach quebrou esse padrão em 1986 ao lançar a Metropolitan, uma pasta estilo mensageiro com alça transversal longa e couro maleável.
Em 1991, a marca refinou o design com o modelo Beekman, que trazia aba arredondada e as icônicas fivelas de latão.
Com a chegada dos notebooks e a flexibilização dos códigos de vestimenta nos anos 2000, as peças perderam espaço. Agora, o pêndulo da moda corporativa retorna para o lado do requinte, mas sob a ótica da sustentabilidade e do garimpo vintage.
No TikTok e no Facebook Marketplace, por exemplo, jovens profissionais compartilham tutoriais de como restaurar essas bolsas com décadas de uso encontradas em brechós por valores acessíveis.
Enquanto a versão moderna e reeditada da pasta Metropolitan é comercializada pela marca por US$ 595 (e vive esgotada nos canais oficiais), os modelos originais de época mudam de mãos em sites de revenda a partir de US$ 150.
O fim das barreiras de gênero nos acessórios de negócios
Para além da estética nostálgica, a febre das pastas vintage sinaliza uma mudança comportamental em relação ao gênero no ambiente corporativo. O acessório, que por quase um século foi considerado um item de exclusividade do vestuário masculino, passou a ser reivindicado e ressignificado pelas mulheres nas lideranças das empresas.
A adoção dessa estética mais sóbria e estruturada funciona como uma afirmação de autoridade no escritório, e permite equilibrar elementos tradicionalmente masculinos com composições contemporâneas da moda feminina.
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