Por que mulheres bem-sucedidas ainda acreditam que “deram sorte”?

Por Victoria Rodrigues 2 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Por que mulheres bem-sucedidas ainda acreditam que “deram sorte”?

O fenômeno conhecido como síndrome do impostor nomeia a sensação de fraude  ou de não reconhecimento das próprias competências. São pessoas que acreditam que seu sucesso está atribuído a sorte ou charme e simpatia, mas não ao desempenho e performance.

Segundo levantamento da empresa de consultoria organizacional Korn Ferry, 75% das mulheres em cargos de liderança se identificam com o sentimento de não merecimento do seu sucesso profissional.

As psicólogas estadunidenses Pauline Clance e Suzanne Imes, creditadas pela criação do termo 'fenômeno do impostor', buscam explicar no estudo O Fenômeno do Impostor em Mulheres de alto desempenho que esse sentimento é uma reação à pressão e padrões sociais.

De onde vem essa percepção?

Dinâmicas familiares e padrões sociais contribuem para que mulheres de sucesso acreditem não merecer o reconhecimento que conquistaram. Isso acontece porque nesses cenários os homens geralmente são colocados como exemplos intelectuais enquanto o sexo feminino é atribuído características de charme, beleza e sensibilidade.

Em seu estudo, Clance e Imes ilustram isso com o exemplo de uma dinâmica familiar comum: quando o filho tira uma nota boa, seu intelecto é aplaudido e incentivado. Já a filha, ao obter o mesmo resultado, não recebe o mesmo tipo de validação, o que a leva a crer que seu sucesso não veio do esforço ou competência, mas sim de sua simpatia

Como esse padrão se repete com frequência no ambiente doméstico, ele acaba sendo transposto para a sociedade. Dessa forma é construído um padrão de comportamento, em que passam a enxergar mulheres bem-sucedidas e independentes "hostis" ou "destrutivas", e colocam em questão sua feminilidade.

Como o fenômeno se manifesta?

Mais da metade de mulheres em cargos de liderança sofrem ou já passaram pela síndrome do impostor. A pressão externa acaba se manifestando em comportamentos específicos que ajudam a identificar o fenômeno no dia a dia profissional.

Entre os principais sinais, é possível notar a incapacidade de internalizar o sucesso. Mesmo diante de resultados sólidos, a mulher tende a atribuir suas vitórias à sorte ou ao acaso, vivendo sob o medo constante de ser 'descoberta' como uma farsa.

Clinicamente, isso se traduz em um ciclo de ansiedade e depressão, muitas vezes mascarado por um cuidado excessivo. Nesse cenário, o trabalho árduo não é apenas uma busca por excelência, mas um mecanismo de defesa. Em outras palavras, elas trabalham exaustivamente para evitar que uma suposta 'falta de capacidade' venha à tona.

Além disso, o fenômeno se manifesta através da negação de feedbacks positivos. Qualquer elogio é filtrado pela desconfiança, fazendo com que a profissional sinta que enganou seus avaliadores, o que a impede de aproveitar de suas conquistas.

Reconhecer é o primeiro passo — mas não o suficiente

Se reconhecer nesses padrões não é um sinal de fraqueza — é um ponto de virada. A síndrome do impostor não surge no vazio: ela é construída ao longo de anos de mensagens sociais, validações desiguais e expectativas silenciosas. Mas também pode ser desconstruída com consciência, repertório e estratégia.

É exatamente esse o convite da masterclass do Na Prática com Claudia Elisa: transformar autopercepção em posicionamento e insegurança em ação consistente. Na aula, ela aprofunda como esses mecanismos se manifestam na trajetória profissional feminina e, principalmente, como rompê-los de forma prática.

Não se trata apenas de “ganhar confiança”, mas de entender as estruturas que sustentam essa sensação de não pertencimento e desenvolver ferramentas para ocupar espaços com legitimidade.

Acesse e garanta sua vaga: um passo concreto para sair do ciclo da autossabotagem e assumir o protagonismo da sua trajetória.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: