Por que os astronautas da Artemis II não pousaram na Lua
Os quatro astronautas da missão Artemis II, da Nasa, passaram pela Lua na segunda-feira, 6, observaram regiões nunca vistas por olhos humanos e bateram o recorde de distância da Terra. Ainda assim, não pousaram na superfície lunar.
Para quem acompanhou o programa Apollo nas décadas de 1960 e 1970, a escolha pode parecer um retrocesso. Afinal, os Estados Unidos já levaram astronautas à Lua antes.
Mas a explicação envolve limitações técnicas, planejamento gradual e mudanças na forma como as missões espaciais são conduzidas hoje.
A nave não foi feita para pousar
O motivo mais direto é que a cápsula Orion, usada na Artemis II, não tem capacidade de pouso.
Ela foi projetada para levar astronautas até as proximidades da Lua e trazê-los de volta à Terra com segurança. Para chegar à superfície, seria necessário um módulo de pouso separado, que ainda não está pronto.
A Nasa firmou contratos com duas empresas para desenvolver esses veículos: a SpaceX, com a nave Starship, e a Blue Origin, com o módulo Blue Moon. Nenhum deles está disponível para uma missão tripulada neste momento.
A previsão mais próxima de um pouso é apenas para 2028, na missão Artemis IV.
O que mudou desde a era Apollo
Os pousos lunares ocorreram entre 1969 e 1972, durante a corrida espacial com a União Soviética. Após esse período, o interesse político e público diminuiu, e o programa Apollo foi encerrado.
Nas décadas seguintes, a Nasa concentrou seus esforços em missões em órbita baixa da Terra, como os ônibus espaciais e a Estação Espacial Internacional (ISS).
Com isso, a infraestrutura necessária para levar humanos à Lua foi praticamente desativada e precisa ser reconstruída praticamente do zero.
Esse processo envolve tecnologias mais modernas, padrões de segurança mais rigorosos e custos diferentes dos da época da Apollo, o que torna o retorno mais complexo do que pode parecer.
A estratégia da Nasa
A Artemis II faz parte de uma estratégia gradual da Nasa para reduzir riscos. A lógica é testar cada sistema separadamente antes de realizar uma missão mais complexa, como o pouso. Foi assim também no início do programa Apollo.
A Artemis I, em 2022, enviou a cápsula Orion ao redor da Lua sem tripulação. Agora, a Artemis II repete o trajeto com astronautas a bordo, testando sistemas de suporte de vida, propulsão, navegação e comunicação no espaço profundo.
Segundo a Nasa, a missão serve para confirmar que todos os sistemas funcionam como projetado com humanos a bordo.
A próxima etapa, a Artemis III, prevista para 2027, também não deve pousar na Lua. A missão será usada para treinar manobras de acoplamento entre a Orion e módulos de pouso em órbita terrestre.
Somente na Artemis IV está previsto o retorno de astronautas à superfície lunar.
Próximos passos da missão
A Artemis II ainda está em andamento e deve seguir com uma série de testes até o retorno à Terra.
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