Por que seguradoras viraram peça-chave na crise do Estreito de Ormuz

Por Da Redação 5 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Por que seguradoras viraram peça-chave na crise do Estreito de Ormuz

A escalada do conflito no Oriente Médio após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último sábado provocou um efeito imediato no comércio global: seguradoras marítimas começaram a cancelar apólices e elevar os custos de cobertura para embarcações que atravessam o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz.

Corretores do setor disseram ao Financial Times que seguradoras especializadas em risco de guerra enviaram notificações de cancelamento para navios que transitam pela região. As empresas se preparam para renegociar contratos a preços mais altos diante da escalada militar.

Os prêmios de seguro para embarcações que passam pelo Golfo podem subir até 50%, segundo Dylan Mortimer, líder de seguros de guerra marítimos da corretora Marsh, ouvido pelo Financial Times. Antes da crise, o custo era de cerca de 0,25% do valor de reposição do navio.

Na prática, isso significa que uma embarcação avaliada em US$ 100 milhões pode ver o custo do seguro subir de aproximadamente US$ 250 mil para US$ 375 mil por viagem, segundo cálculos citados pelo jornal britânico.

O aumento reflete o temor de ataques ou apreensão de embarcações após a retaliação iraniana contra bases americanas na região.

Rota estratégica do petróleo começa a travar

O impacto ocorre em uma das rotas energéticas mais importantes do planeta. O Estreito de Ormuz é responsável pela passagem de cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente, além de grandes volumes de gás natural.

Sem seguro, navios não conseguem operar comercialmente, o que já começou a afetar o fluxo logístico.

Segundo a Reuters, cerca de 750 navios ficaram presos em congestionamentos na região, incluindo aproximadamente 100 navios porta-contêineres, o equivalente a cerca de 10% da frota global desse tipo de embarcação.

Companhias de navegação também começaram a suspender reservas de carga para o Oriente Médio. Jeremy Nixon, CEO da Ocean Network Express (ONE), disse à Reuters que o acúmulo de embarcações pode causar congestionamentos logísticos em portos da Europa e da Ásia.

Alguns navios já passaram a evitar a travessia do estreito enquanto armadores reavaliam os riscos de segurança.

Mercado de seguros amplia zona de risco

O mercado de seguros marítimos de Londres também reagiu rapidamente à escalada do conflito.

O Joint War Committee, responsável por definir zonas de risco para seguradoras, ampliou as áreas classificadas como de alto risco no Golfo, segundo comunicado citado pela Reuters. A nova classificação inclui águas próximas a Bahrein, Djibuti, Kuwait, Omã e Catar.

A decisão influencia diretamente o cálculo de prêmios de seguro e obriga embarcações que cruzam essas áreas a contratar coberturas adicionais.

Nos últimos dias, os prêmios de seguro de guerra na região chegaram a subir cinco vezes em relação à semana anterior aos ataques, segundo fontes do setor citadas pela Reuters.

Navios evitam o estreito e exportações são afetadas

O impacto sobre o transporte marítimo tem sido imediato. Dados analisados pela Bloomberg indicam que, no início do conflito, mais petroleiros saíram do Estreito de Ormuz do que entraram, um sinal de que operadores estão tentando retirar embarcações da zona de risco.

Com navios relutando em atravessar a rota, produtores de petróleo enfrentam dificuldades para exportar. Custos de transporte de superpetroleiros dispararam e refinarias do Golfo começam a enfrentar limites de armazenamento à medida que exportações ficam represadas.

Trump promete seguro estatal e escolta naval

Diante do risco de paralisação do comércio energético global, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma intervenção para tentar restabelecer o fluxo marítimo.

Em publicação na rede Truth Social, Trump disse ter acionado i U.S. International Development Finance Corporation (DFC), banco de investimentos do governo americano que costuma financiar projetos em países em desenvolvimento. A ordem é que o DFC ofereça seguro de risco político e garantias financeiras para todo o comércio marítimo que transite pelo Golfo.

O plano também prevê que a Marinha dos EUA possa escoltar navios petroleiros, caso necessário.

Segundo analistas ouvidos pela Bloomberg, a iniciativa pode ajudar a reduzir o risco percebido pelos armadores no curto prazo e aliviar a pressão sobre os preços do petróleo.

Indústria vê solução parcial

Apesar do anúncio, executivos do setor marítimo demonstram cautela.

Armadores afirmam que ainda não está claro como o mecanismo de seguro funcionará nem quais riscos serão efetivamente cobertos.

Analistas do RBC Capital Markets disseram à Bloomberg que o plano enfrenta desafios logísticos e pode levar tempo para ser implementado.

Outro obstáculo é militar: escoltar navios em uma das rotas mais movimentadas do planeta exigiria grande capacidade naval.

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