Por que seu cérebro 'dá branco' sob pressão? Entenda como o estresse afeta a memória
Sabe quando a resposta parece estar “na ponta da língua”, mas desaparece justamente na hora da pressão? O cérebro pode ter mais dificuldade para ligar informações antigas a dados novos depois de uma situação estressante, como uma entrevista de emprego.
É isso que aponta um estudo publicado pela revista Science Advances. Ele analisou esse efeito em 121 participantes e mostrou que o estresse agudo interfere na capacidade de integrar experiências e fazer inferências.
A pesquisa combinou imagens cerebrais e testes psicológicos para avaliar como o estresse interfere na capacidade de usar experiências anteriores para fazer deduções. O trabalho foi conduzido por Lars Schwabe, psicólogo cognitivo da Universidade de Hamburgo, na Alemanha, e colegas.
Como o estudo foi feito?
A área central analisada foi o hipocampo, região do cérebro considerada essencial para o processo de integração de informações e vulnerável ao estresse.
No estudo, 121 participantes memorizaram pares de imagens no primeiro dia do experimento. Cada par incluía um animal e uma imagem de rosto ou cena. No dia seguinte, cerca de metade dos participantes passou por uma entrevista de emprego simulada, com defesa de candidatura a uma vaga e cálculos mentais complexos. Já a outra metade, o grupo de controle, fez um discurso sobre tema de livre escolha e uma tarefa simples de matemática mental.
Depois disso, os participantes viram novos pares de imagens, com um animal e uma forma em 3D. Em seguida, precisaram associar formas em 3D a rostos ou cenas vistos antes.
Ao longo desse processo, os participantes foram submetidos a um tipo de ressonância magnética que mostra a atividade cerebral em tempo real. Esse método permitiu identificar quais partes do hipocampo eram ativadas quando os participantes viam animais, formas, rostos e cenas.
Qual foi o resultado?
Nos participantes submetidos a maior estresse, o cérebro mostrou menor atividade na área associada a rostos e cenas quando eles observavam uma forma em 3D. Segundo os autores, isso indica que o cérebro desses participantes não inferiu a conexão entre a forma e o rosto, ou a cena, com a mesma intensidade observada no grupo de controle.
Apesar disso, a precisão dos participantes estressados ao escolher a associação correta foi igual à do grupo de controle. Os pesquisadores afirmam que isso pode ocorrer porque o método de ressonância para detectar ligação entre memórias é mais sensível do que o teste comportamental.
Agora, a próxima etapa do grupo de Schwabe envolve experimentos com roedores para investigar os mecanismos por trás do fenômeno e buscar formas de reduzir os efeitos do estresse.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: