Por que ursos polares estão mais gordos apesar do derretimento do gelo

Por Vanessa Loiola 3 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Por que ursos polares estão mais gordos apesar do derretimento do gelo

Alguns ursos polares do arquipélago de Svalbard, na Noruega, estão mais gordos e com melhor condição corporal apesar do avanço do derretimento do gelo marinho causado pelas mudanças climáticas. A constatação contraria expectativas científicas e foi registrada em um estudo publicado na revista Scientific Reports.

Pesquisadores analisaram dados coletados entre 1992 e 2019, período marcado por aumento das temperaturas e redução significativa do gelo marinho na região. Mesmo assim, os ursos avaliados apresentaram ganho de gordura corporal, indicador associado à saúde e à capacidade reprodutiva da espécie.

Os ursos polares dependem do gelo marinho como plataforma de caça, sobretudo para capturar focas. A gordura obtida dessas presas fornece energia, isolamento térmico e nutrientes essenciais para fêmeas e filhotes.

Por que os ursos de Svalbard estão mais gordos?

O estudo avaliou 770 ursos polares adultos, que foram pesados, medidos e tiveram sua condição corporal analisada. Os resultados mostraram um aumento significativo das reservas de gordura ao longo das quase três décadas de pesquisa.

Segundo os cientistas, uma das explicações é a mudança na dieta. Com a redução do gelo, os ursos de Svalbard passaram a consumir mais presas terrestres, como morsas e renas, que oferecem alto valor energético.

As morsas, protegidas na Noruega desde a década de 1950, tiveram sua população recuperada ao longo dos anos. Esse aumento teria ampliado a disponibilidade de alimento para os ursos polares da região.

Outra hipótese levantada é que a concentração de focas em áreas menores de gelo facilite a caça, tornando-a mais eficiente em determinados períodos.

Resultados positivos não devem durar

Apesar dos dados indicarem melhora na condição física dos ursos, os próprios pesquisadores alertam que o cenário pode não se sustentar no longo prazo. O número de dias sem gelo em Svalbard aumentou em quase 100 dias por ano durante o período analisado.

Com a continuidade do derretimento, os ursos podem ser obrigados a percorrer distâncias maiores para encontrar alimento, gastando mais energia e reduzindo suas reservas de gordura.

Outros estudos recentes indicam que o aumento dos dias sem gelo está associado à redução da sobrevivência de filhotes e de fêmeas mais jovens ou idosas na região.

Situação varia entre regiões do Ártico

Especialistas destacam que os resultados observados em Svalbard não se repetem em outras partes do Ártico. Existem cerca de 20 subpopulações de ursos polares, e muitas delas já apresentam declínio populacional.

Na baía de Hudson, no Canadá, por exemplo, a diminuição do gelo marinho está diretamente ligada à queda no número de ursos polares. Em algumas regiões, os animais também têm se aproximado mais de comunidades humanas em busca de alimento.

Pesquisadores reforçam que, apesar de variações regionais, o gelo marinho continua sendo essencial para a sobrevivência da espécie. A longo prazo, a perda contínua desse habitat tende a levar ao declínio das populações de ursos polares.

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