Por trás da Casa CazéTV: empresa de experiências projeta 100 mil visitantes e crescimento de 60%
O brasileiro tem a fama de ser a torcida mais animada do mundo.
Durante a Copa do Mundo FIFA 2026, uma nova experiência espera reunir mais 100 mil torcedores ao longo do evento esportivo.
“É a primeira vez que a comunidade da Cazé se encontra de verdade, fora das telas. Até então, ela existia como audiência digital. Agora, o chat vira evento e essa combinação entre digital e presencial é o que torna tudo mais potente”, diz Bernardo Dinardi, fundador da TM1, empresa de marketing de experiência que construiu o espaço ao lado da CazéTV.
Antes do início da Copa, os ingressos de dias de jogos do Brasil já estavam esgotados para o endereço carioca e próximos de acabar em São Paulo. Com o projeto, a TM1 espera crescer entre 50% e 60% neste ano, impulsionado por eventos esportivos.
Uma casa de experiência
A TM1 atua com dois modelos principais de relacionamento com clientes: em alguns projetos, a empresa é contratada para desenvolver experiências de marca sob demanda; em outros, atua como sócia das iniciativas, dividindo a construção e a operação dos projetos com as marcas.
No caso da Casa CazéTV, foi firmada uma parceria entre as empresas. A ideia se inspirou em outro projeto realizado pela TM1: a NBA House, uma casa imersiva ligada às competições norte-americanas de basquete – que já teve dez edições realizadas pela empresa brasileira.
Casa CazéTV, em São Paulo, aposta em um formato imersivo que transforma a Copa do Mundo em uma experiência presencial integrada à transmissão dos jogos (Jorge Alexandre)
Quando o contato entre as empresas começou a acontecer, eles se inspiraram nesse modelo de “casa de experiência”, diferente das fan fests tradicionais. “A ideia foi adaptar esse formato para a Copa do Mundo e criar um ambiente mais imersivo, comunitário e conectado diretamente à transmissão dos jogos”, afirma Dinardi.
A casa começou a ser planejada há um ano. O processo envolveu a TM1, a CazéTV e mais de 10 patrocinadores, com as marcas participando ativamente da construção do projeto desde o início. “Não foi um formato pronto que depois foi adaptado. Foi um projeto co-criado desde o início, junto com as marcas”, diz.
“Nos telões, existem câmeras exclusivas que oferecem ângulos especiais da transmissão da Copa do Mundo, acessíveis apenas ao público dentro da Casa Cazé”, afirma Dinardi.
Cada uma das casas suporta cerca de 5 mil pessoas, com a expectativa de receber até 10 mil torcedores, somando os dois endereços. No total, a expectativa é receber mais de 100 mil pessoas.
Casa CazéTV, em São Paulo, tem capacidade para cerca de 5 mil pessoas (Jorge Alexandre)
“É uma proposta voltada aos principais fãs da plataforma, mas que também busca atrair novos públicos durante a Copa, em uma estrutura pensada para que as pessoas vibrem juntas. O brasileiro gosta de viver o esporte em coletivo.”
A parceria com a CazéTV segue além da Copa do Mundo. A expectativa é que novas iniciativas sejam lançadas ainda durante o ciclo da Copa, com o segundo e o terceiro projetos já em desenvolvimento. “O que torna a parceria tão potente é justamente isso: a união entre comunidade, mídia e experiência”, diz Dinardi.
Esporte como motor de crescimento
O lançamento do espaço de experiência dedicado a Copa, também deve impulsionar a chegada de novos projetos e clientes para a TM1, em especial no setor de esportes.
“O mercado americano já está mais maduro na relação entre ligas e entretenimento esportivo. No Brasil, ainda estamos no começo dessa jornada, e a TM1 está muito bem posicionada para aproveitar esse movimento de forma positiva”, afirma.
Ainda em 2026, novos projetos relacionados ao mundo do esporte já estão no radar. “Em novembro, lançamos a GB House, uma experiência em parceria com o piloto brasileiro Gabriel Bortoleto, no Autódromo de Interlagos, com uma proposta diferente de interação e imersão para os fãs de Fórmula 1.”
A empresa, que vem crescendo cerca de 40% nos últimos anos, espera mais neste ano. A expectativa é fechar o ano de 2026 com um faturamento até 60% maior em relação a 2025.
“A TM1 busca inovar constantemente nos formatos de negócio para gerar mais valor para marcas e comunidades. Ainda há muito potencial no Brasil e queremos ser pioneiros”, diz Dinardi.
De estagiário na Coca-Cola à criação da TM1
A empresa, que hoje projeta eventos de proporção nacional e reúne cerca de 200 funcionários, começou com Bernardo Dinardi ainda em seus primeiros passos profissionais, quando era estagiário na Coca-Cola. Foi a partir dessa experiência que surgiu a base do que viria a ser a TM1, hoje referência em brand experience no país.
Fundada há 17 anos, o negócio nasceu da percepção de que o marketing poderia ir além das campanhas tradicionais e se tornar uma experiência concreta para o público.
Bernardo Dinardi, fundador e CEO da TM1: 'Não fazemos só evento, criamos experiência. É isso que transforma marcas em memória e conexão real com o público' (Rachel Pontes)
“Fui estagiário na Coca-Cola e, dali, comecei a entender o universo do marketing e o quanto ele tinha potência”, lembra Dinardi. A empresa começou pequena, em Belo Horizonte, antes de se expandir para São Paulo, onde consolidou sua atuação.
O crescimento foi gradual e orgânico, impulsionado principalmente pela confiança de grandes marcas que passaram a integrar o portfólio da empresa. Hoje, a TM1 trabalha com nomes como Netflix, Mercado Livre e TikTok, atuando na criação de ativações, eventos e experiências imersivas. “Começamos trabalhando com marcas potentes e isso foi gerando visibilidade no mercado”, afirma.
Para Dinardi, o futuro da empresa está diretamente ligado à expansão do mercado de experiências no Brasil e à integração entre físico e digital. “Sempre acreditamos nas conexões humanas. No fim, experiência é o que transforma marca em memória”, diz.
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