Por trás da desmotivação de funcionários nas empresas, está um problema que poucos líderes enxergam
Mesmo em um cenário em que a maioria dos profissionais declara estar satisfeita com seus empregos, empresas seguem enfrentando dificuldades para engajar e reter talentos.
Um dos principais fatores por trás desse paradoxo está na atuação das lideranças. Mais do que salário ou cargo, a forma como gestores conduzem equipes tem impacto direto na motivação e no desempenho dos colaboradores.
Satisfação não significa engajamento
Dados recentes ajudam a explicar esse desalinhamento dentro das organizações.
Segundo levantamento da Pluxee, realizado em 2026, 80% dos trabalhadores afirmam estar satisfeitos com seus empregos atuais. No entanto, 44% dizem que suas habilidades não são plenamente aproveitadas e que gostariam de assumir desafios maiores.
Os resultados da sua equipe refletem diretamente a sua liderança. O que você precisa ajustar hoje?
O contraste revela um problema estrutural. A satisfação isolada não garante engajamento nem produtividade. Profissionais podem permanecer em seus cargos, mas desconectados do propósito e do crescimento dentro da empresa.
Liderança despreparada impacta resultados e retenção
Para Tatiana Marzullo, fundadora e CEO da Agência A+ e especialista em liderança, o problema não está na falta de conhecimento técnico dos gestores, mas na dificuldade em lidar com pessoas.
Segundo ela, muitas lideranças ainda não desenvolveram habilidades essenciais de comunicação, escuta e desenvolvimento de equipes. “Liderança não tem relação apenas com metas e resultados, mas com pessoas, histórias, emoções e desenvolvimento”, afirma.
Com mais de 27 anos de experiência em gestão, Tatiana defende que empresas sustentáveis são construídas a partir de ambientes onde os profissionais se sentem valorizados e parte do negócio.
Um erro de comunicação que mudou uma liderança
A percepção sobre o impacto da liderança não veio apenas da teoria. Um episódio vivido dentro da própria empresa foi determinante para a mudança na forma de gestão de Tatiana.
Ao tentar incentivar uma colaboradora que enfrentava dificuldades, a empresária afirmou que ela apresentava bons resultados quando queria. A intenção era motivar, mas a interpretação foi diferente. A profissional entendeu que não estava se esforçando o suficiente.
O episódio levou a uma revisão de postura. Após receber o feedback, Tatiana pediu desculpas e ajustou sua comunicação. A mudança teve efeito direto no desenvolvimento da colaboradora, que hoje ocupa posição de liderança na empresa.
“Aquilo me ensinou que liderar é aprender o tempo todo e que comunicação exige cuidado, porque cada pessoa escuta a partir da sua própria história”, afirma.
Cultura organizacional e liderança caminham juntas
A experiência prática também influenciou a criação do Programa Salto Alto, iniciativa voltada ao desenvolvimento de lideranças femininas. A imersão leva executivas a empresas globais como Disney, Starbucks, Apple e Marriott, permitindo contato direto com culturas organizacionais estruturadas.
A partir dessas experiências, Tatiana identificou um padrão recorrente. Empresas com resultados consistentes costumam ter lideranças mais humanas, comunicação clara e foco no desenvolvimento contínuo das pessoas.
Os erros mais comuns que comprometem equipes
Com base em sua trajetória, a especialista mapeou falhas recorrentes que impactam diretamente o desempenho das equipes e o ambiente organizacional.
Entre os principais pontos estão a crença de que salário é suficiente para engajar, a falta de escuta ativa e a tendência de procurar a equipe apenas em momentos de erro. Também se destacam a ausência de reconhecimento, a dificuldade em desenvolver talentos e a comunicação pouco clara sobre os rumos da empresa.
Outro erro frequente está na tentativa de tratar todos os profissionais da mesma forma, desconsiderando diferenças individuais, motivações e contextos pessoais.
O impacto direto na performance das empresas
Essas falhas não afetam apenas o clima organizacional, mas também os resultados financeiros e estratégicos das empresas. Equipes desmotivadas tendem a apresentar menor produtividade, maior rotatividade e menor capacidade de inovação.
A liderança, nesse cenário, deixa de ser apenas um papel operacional e passa a ser um fator determinante para o crescimento sustentável das organizações.
Liderar passa a ser uma habilidade estratégica
O cenário atual exige uma mudança na forma como a liderança é compreendida dentro das empresas. Mais do que cobrar resultados, gestores precisam desenvolver pessoas, criar ambientes de confiança e alinhar expectativas.
“Quando a equipe cresce, a empresa cresce junto. O resultado é consequência de um time engajado, respeitado e que entende o seu papel dentro do negócio”, afirma Tatiana.
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