Powell diz que ficará no Fed após deixar a presidência e cita 'ataques' à instituição

Por Clara Assunção 29 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Powell diz que ficará no Fed após deixar a presidência e cita 'ataques' à instituição

O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, afirmou nesta quarta-feira, 29, que permanecerá como membro do conselho do banco central dos Estados Unidos após o fim de seu mandato à frente da instituição, em 15 de maio, sem detalhar por quanto tempo seguirá no cargo.

"Minhas decisões continuarão sendo guiadas exclusivamente pelo que considero ser do melhor interesse da instituição e das pessoas que atendemos. Após o término do meu mandato como presidente em 15 de maio, continuarei a atuar como membro do Conselho por um período ainda a ser determinado. Pretendo manter um perfil discreto nessa função", afirmou a jornalista na última coletiva de imprensa.

A declaração foi dada à imprensa nesta quarta-feira, 29, após a decisão do Banco Central dos Estados Unidos de manter a taxa de juros inalterada pela terceira reunião consecutiva.

Powell disse ter preocupação sobre a "série de ataques ao Fed, que ameaçam nossa capacidade de conduzir a política monetária sem considerar fatores políticos", como classificou.

Segundo Powell, essas ações são "sem precedentes em nossa história de 113 anos" e têm colocado em risco o funcionamento da autoridade monetária. "Preocupo-me que esses ataques estejam castigando a instituição e colocando em risco o que realmente importa para o público, que é a capacidade de conduzir a política monetária sem levar em consideração fatores políticos", afirmou aos jornalistas.

A declaração ocorreu em um momento de transição no comando do Fed. Powell deixa a presidência em 15 de maio, mas afirmou que permanecerá no conselho da instituição até que investigações em curso sejam concluídas.

No início do ano, o Departamento de Justiça enviou ao Fed intimações relacionadas ao depoimento prestado por Powell ao Comitê Bancário do Senado no ano passado sobre um projeto de reforma de prédios da instituição, estimado em US$ 2,5 bilhões. Na semana passada, porém, o DOJ decidiu encerrar as investigações.

"Eu disse que não deixarei o conselho até que esta investigação esteja bem e verdadeiramente encerrada com transparência e finalidade, e eu mantenho isso", afirmou, destacando que a decisão não tem caráter político, mas responde a ações judiciais recentes que, segundo ele, não lhe deixaram "outra escolha a não ser ficar".

Powell parabeniza sucessor

Ao comentar a sucessão, Powell adotou um tom conciliador. Ele parabenizou Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump e já aprovado pelo Comitê Bancário do Senado nesta quarta, e disse esperar uma transição “normal e padrão”.

A autoridade monetária também sinalizou que, uma vez confirmada a nomeação, respeitará integralmente a autoridade do sucessor. "Existe apenas um presidente do Conselho do Federal Reserve. Quando Kevin Warsh for confirmado e empossado, ele será esse presidente", disse.

Powell acrescentou que pretende manter um “perfil baixo” no comitê de política monetária, evitando atuar como um “shadow chair”.

Fed mantém juros

A coletiva ocorreu após o Fed manter a taxa básica de juros no intervalo entre 3,5% e 3,75%, decisão amplamente esperada pelo mercado, mas que revelou um nível elevado de divergência interna.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) votou por 8 a 4, o maior grau de dissidência desde 1992. Enquanto o diretor Stephen Miran voltou a defender um corte de 0,25 ponto percentual, Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan apoiaram a manutenção dos juros, mas se opuseram à sinalização de possíveis cortes no comunicado.

O pano de fundo da decisão é um cenário de dupla pressão. De um lado, a inflação segue acima da meta, com o núcleo do PCE em 3,1%. De outro, a guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel — que já dura dois meses — elevou a incerteza sobre os preços de energia, com o barril de petróleo Brent acima de US$ 100.

O próprio Fed reconheceu que o conflito no Oriente Médio contribui para um “alto nível de incerteza” nas perspectivas econômicas.

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