Prata dispara, Vivara cai — mas o Santander aponta que mercado exagerou

Por Clara Assunção 4 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Prata dispara, Vivara cai — mas o Santander aponta que mercado exagerou

Apesar de ter encerrado 2025 entre as maiores altas do Ibovespa, com valorização de 81,68%, as ações ordinárias da Vivara (VIVA3) começaram 2026 com forte ajuste. No acumulado do ano, os papéis acumulam um recuo de 14,05%, destoando do movimento do mercado, em que o principal índice acionário da B3 avançou 12,56% em janeiro, no melhor desempenho mensal desde novembro de 2020.

A correção ocorre em um contexto global marcado pela disparada dos metais preciosos. Na última semana de janeiro, a prata atingiu o maior patamar em relação ao ouro em quase 14 anos, em meio a um rali histórico: o ouro acumula alta superior a 80% em 12 meses, negociado a US$ 5.100 a onça, enquanto a prata saltou 250%, para US$ 110.

Um movimento de reflexo do aumento da aversão ao risco, alimentado por conflitos geopolíticos na Europa e no Oriente Médio e tensões comerciais com os Estados Unidos e pelo desgaste da confiança no dólar, pressionado também pela dívida americana elevada e por uma inflação resistente acima da meta de 2%.

A disparada do ouro nos últimos meses também produziu efeitos distintos nas carteiras de ações do Itaú BBA em janeiro. Enquanto produtora da matéria-prima, a Aura Minerals (AURA33) foi o "maior propulsor de rentabilidade" no mês, com valorização de 25%, a varejista de joias sentiu a corrida do ouro pelo viés de quem consome a commodity.

Por conta disso, o papel VIVA3 foi considerado o detrator do mês pelo BBA, com um impacto negativo de 15% e a casa acabou retirando o papel da sua carteira Small Caps.

Reação do mercado é exagerada, diz Santander

Mas na avaliação dos analistas Eric Huang, Lucas Esteves e Vitor Fuziharo, do Santander, a forte queda recente das ações da Vivara após a disparada da prata representa uma reação exagerada do mercado a riscos de curto prazo.

Segundo o banco, embora as preocupações com o impacto do aumento do custo da matéria-prima sejam legítimas, especialmente porque a linha Life, de prata, tem preços mais acessíveis e forte apelo para presentes, os fundamentos da companhia permanecem sólidos.

O principal argumento do Santander está na dinâmica de estoques da empresa. Com base nos dados do terceiro trimestre de 2025, o banco estima que o volume de produtos acabados permitiria à Vivara cobrir cerca de 80% das vendas entre o quarto trimestre de 2025 e o segundo trimestre de 2026 aos preços anteriores da prata.

Isso daria espaço para repasses graduais, reduzindo o impacto imediato sobre a demanda e as margens.

A análise indica que, mesmo com uma alta de 100% no preço da prata, seria necessário um reajuste médio de apenas cerca de 9% nos preços da linha Life para preservar margens, além de haver potencial de ganhos de produtividade com a ampliação da produção interna em 2026.

O cálculo considera que aproxidamente metade do custo dos produtos da linha é composta pela prata, enquanto o restante envolve mão de obra e outros custos industriais.

"Além disso, consideramos que em 2026, após o aumento da produção da nova fábrica, o abastecimento interno da Life deve aumentar significativamente, permitindo um imposto menor sobre a receita bruta em comparação com os produtos acabados importados", afirmam os analistas.

"E esses produtos de origem interna devem permitir uma maior alavancagem operacional na fábrica e, consequentemente, reduzir o custo de mão de obra por produto", acrescetam.

VIVA3 tem múltiplos atrativos

Mesmo em um cenário bastante conservador — com crescimento zero das vendas mesmas lojas (SSS) da Life e pressão de 7,5 pontos percentuais na margem bruta —, a Vivara ainda negociaria a múltiplos considerados atrativos.

Pelas estimativas do banco, a ação estaria avaliada a cerca de 10 vezes o lucro projetado para 2026, patamar próximo ao de outras varejistas do setor, como a Lojas Renner.

"As preocupações [com o papel] são justificáveis, mas exageradas, em nossa opinião", dizem os analistas do Santander.

"Embora concordemos que as preocupações com a elasticidade do consumidor em relação a aumentos acentuados de preços sejam genuínas, dado o preço médio mais baixo da Life e seu perfil de presente, não acreditamos que os riscos sejam tão significativos quanto o desempenho do preço das ações no acumulado do ano", conclui o banco.

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