'Preço cai à metade, mas volume dobra', diz CEO da RD sobre 'Ozempic' brasileiro
A aprovação da caneta emagrecedora da farmacêutica EMS pela Anvisa nesta terça-feira, 26, foi recebida com entusiasmo pelo varejo farmacêutico. Para Renato Raduan, CEO da RD Saúde (ex-Raia Drogasil), rede com maior número de farmácias no país, o movimento, além de fortalecer o negócio das varejistas, é uma virada para a saúde pública brasileira.
"Para o Brasil, para a saúde, para o sistema público de saúde é muito positivo", disse Raduan. O principal gargalo das canetas emagrecedoras, reconhece, sempre foi o preço elevado, que restringiu o acesso a uma parcela pequena da população. Com a chegada de um produto nacional mais barato, esse cenário deve mudar.
O Ozivy foi desenvolvido integralmente pela EMS, com tecnologia e produção nacionais. A empresa prometeu chegar às farmácias com preço cerca de 30% mais acessível do que o produto de referência - o Ozempic.
"Não é um desconto temporário de entrada. O produto já terá um preço bem mais acessível e, no início do tratamento, as condições serão ainda melhores", afirmou Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS.
A expectativa é que o Ozivy chegue às farmácias nos próximos 30 dias.
Lições de Argentina e Rússia
Raduan usou o exemplo de outros países para explicar o impacto de chegada de produtos com menor tíquete no varejo de GLP 1.
"Isso já aconteceu na Argentina e já aconteceu na Rússia", afirmou. Nesses mercados, "o preço médio cai mais da metade, 50%, 60%, mas o volume, muito mais do que dobra, por mais gente ter acesso".
Os números da EMS reforçam essa lógica. A primeira leva será de 350 mil unidades, com meta de 1,2 milhão no primeiro ano e expectativa de faturamento superior a R$ 500 milhões. Mais de dois mil representantes médicos serão mobilizados para apresentar o produto à classe médica antes mesmo de o item chegar às prateleiras.
Mercado informal na mira
Raduan também falou sobre o impacto da chegada de novas canetas no comércio de produtos não regularizados pelas autoridades sanitárias brasileiras. Muitas dessas substâncias têm chegado ao país vindas do Paraguai e vendidas com facilidade por redes sociais.
"É a chance dessas pessoas poderem, ao invés de ir nesses canais, fazer o consumo com produto de origem garantida, que a gente sabe que teve a condição de refrigeração adequada na logística", disse Raduan.
Ele também elogiou os órgãos fiscalizadores: "A atuação está sendo exemplar. Eles sabem do risco que tem para a população trazer produtos que não têm origem garantida, não são certificados pela Anvisa, não têm a condição de refrigeração. É bem difícil você conseguir ter uma contenção total."
Investimento de uma década, mercado bilionário
Por trás do lançamento há uma aposta de longo prazo. A EMS investiu R$ 1,2 bilhão ao longo de dez anos no desenvolvimento de uma plataforma proprietária de peptídeos, com capacidade produtiva de 40 milhões de canetas por ano na fábrica de Hortolândia. A unidade é a única no Brasil voltada à produção desses peptídeos, e os medicamentos serão exportados para os Estados Unidos e a Europa.
O mercado nacional de injetáveis para obesidade e diabetes, ressalta a EMS, já ultrapassa R$ 5,6 bilhões por ano.
"É muito positivo que tenha concorrência e que tenham também empresas nacionais participando disso", conclui o CEO da RD.
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