Premiê do Reino Unido é pressionado a renunciar em meio à demissão de quatro assessores
O governo do primeiro-ministro britânico Keir Starmer enfrenta uma nova crise política após a renúncia da deputada trabalhista Melanie Ward ao cargo de secretária parlamentar particular do vice-primeiro-ministro, David Lammy. Ward se tornou a quarta assessora ministerial a deixar o governo em meio ao aumento da pressão interna contra a liderança de Starmer.
Segundo levantamento da emissora britânica BBC, ao menos 64 parlamentares do Partido Trabalhista já defenderam publicamente a saída do premiê. A pressão aumentou após o partido perder mais de 1.400 cadeiras em conselhos locais e deixar o comando do País de Gales, onde governava há décadas.
O avanço do Reform UK, legenda populista de direita liderada por Nigel Farage, também ampliou a crise interna. Apesar de ter conquistado menos de 30% dos votos em um cenário fragmentado, o partido obteve vitórias em diferentes regiões do Reino Unido.
Em publicação feita no X, Melanie Ward afirmou que Starmer realizou um “trabalho importante” no cargo, mas disse que o recado das eleições locais foi “claro”. A parlamentar também pediu a renúncia do primeiro-ministro e defendeu um “processo rápido” para escolha de um sucessor. “Nosso país enfrenta enormes desafios e precisamos de um governo trabalhista capaz de promover a mudança na escala necessária”, escreveu Ward. “É evidente que o primeiro-ministro não tem mais a confiança do público para liderar essa mudança.”
A posição de Starmer dentro do partido vinha se deteriorando nos últimos meses, em meio a dificuldades econômicas, críticas sobre imigração ilegal e questionamentos sobre sua capacidade de liderança. A nomeação de Peter Mandelson como embaixador nos Estados Unidos também provocou desgaste político após documentos revelarem a proximidade do diplomata com Jeffrey Epstein.
Nesta segunda-feira, Starmer tentou conter a rebelião interna ao prometer medidas para reduzir o custo de vida e aproximar o Reino Unido da Europa. Em discurso realizado em Londres, o premiê reconheceu a insatisfação demonstrada pelos eleitores nas eleições locais da última semana. "Isso dói e deveria doer", afirmou Starmer. "Eu entendo. Eu sinto isso. E assumo a responsabilidade".
O primeiro-ministro também afirmou que permanecerá no cargo e disse que uma troca de liderança provocaria instabilidade política semelhante à sequência de mudanças de premiês do Partido Conservador antes da vitória trabalhista em 2024.
“Assumo a responsabilidade por não desistir”, declarou. “Não mergulhar o nosso país no caos, como os Conservadores fizeram repetidas vezes.”
Pressão interna cresce dentro do Partido Trabalhista
Durante o fim de semana, dezenas de parlamentares trabalhistas passaram a defender publicamente a saída de Starmer. Angela Rayner, apontada como uma das possíveis lideranças capazes de desafiar o premiê, afirmou que a agenda do partido precisa mudar.
“O primeiro-ministro precisa estar à altura do momento e apresentar a mudança que nosso país precisa”, escreveu Rayner. “O Partido Trabalhista existe para melhorar a vida dos trabalhadores. Isso não está acontecendo rápido o suficiente e precisa mudar — agora”.
Apesar das críticas, Rayner ainda não iniciou formalmente um movimento para disputar a liderança do partido. O processo exige o apoio de ao menos 80 parlamentares para convocar uma eleição interna. Starmer, que está no segundo ano de um mandato de cinco anos, voltou a responsabilizar os conservadores pelos problemas econômicos e sociais enfrentados pelo Reino Unido. Em seu discurso, ele também defendeu uma aproximação maior com a Europa, apesar de manter o compromisso de não reverter o Brexit.
“Este governo trabalhista será definido pela reconstrução de nosso relacionamento e por colocar o Reino Unido no centro da Europa”, afirmou o premiê.
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