"Preocupante", diz Rubio sobre relatório que aponta toxina de rã na morte de Navalny
O governo dos Estados Unidos não vê motivos para questionar as conclusões de cinco países europeus que apontaram o envenenamento do opositor russo Alexei Navalny como causa de sua morte, ocorrida há dois anos em uma colônia penal no Ártico. A declaração foi feita neste domingo pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, durante visita à Eslováquia.
"Obviamente, estamos cientes do relatório. É um relatório preocupante. Estamos cientes do caso do sr. Navalny e certamente... não temos nenhuma razão para questioná-lo", afirmou Rubio a jornalistas em entrevista coletiva em Bratislava.
No sábado, Reino Unido, França, Alemanha, Suécia e Holanda divulgaram uma nota conjunta na qual afirmam que análises de amostras do corpo de Navalny "confirmaram conclusivamente" a presença de epibatidina, uma toxina encontrada em rãs-flecha venenosas da América do Sul e que não ocorre naturalmente na Rússia. A morte do principal opositor do presidente Vladimir Putin completa dois anos na próxima segunda-feira, 16.
O governo russo, por meio da agência de notícias estatal TASS, rejeitou as acusações como "um golpe de propaganda ocidental". Moscou sempre negou qualquer envolvimento na morte de Navalny, ocorrida em fevereiro de 2024 enquanto ele cumpria pena em uma prisão no Ártico.
Por que os EUA não assinaram a nota
Questionado sobre a ausência dos Estados Unidos no comunicado conjunto, Rubio explicou que a iniciativa partiu dos países europeus e que Washington optou por não se juntar formalmente à declaração, embora concorde com suas conclusões.
"Esses países chegaram a essa conclusão. Eles coordenaram isso. Isso não significa que discordamos do resultado. Apenas não foi uma iniciativa nossa. Às vezes, os países agem com base nas informações de inteligência que reuniram", disse Rubio.
O secretário acrescentou que os EUA não pretendem "entrar em uma briga com esses países por causa disso", mas reforçou que se trata de um relatório elaborado por eles.
Quem foi Alexei Navalny
Navalny, ex-advogado que se tornou a principal figura de oposição a Vladimir Putin, morreu em fevereiro de 2024 em uma colônia penal no Ártico, onde cumpria pena após ser condenado por acusações de extremismo e outros crimes — todas as quais ele negava.
Sua trajetória de confronto com o Kremlin começou há mais de uma década, com denúncias de corrupção contra a elite russa e sátiras contra Putin. Em 2018, liderou uma "greve de eleitores" que levou milhares de pessoas às ruas em protesto contra a reeleição do presidente.
Embora tenha anunciado candidatura presidencial em 2016, Navalvy foi barrado pelo comitê eleitoral devido a uma condenação anterior por crimes econômicos, que ele também considerava forjada.
Em janeiro de 2021, ao retornar à Rússia depois de se recuperar na Alemanha de um envenenamento — que atribuiu ao governo russo —, Navalny foi imediatamente detido. Permaneceu preso até sua morte, aos 74 anos, em fevereiro de 2024.
Em dezembro daquele ano, passou mais de 20 dias desaparecido antes que as autoridades revelassem sua transferência para uma prisão no Ártico.
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