Presidente da Bolívia anuncia redução de 50% do próprio salário diante de protestos e crise política

Por Mateus Omena 25 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Presidente da Bolívia anuncia redução de 50% do próprio salário diante de protestos e crise política

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou nesta segunda-feira, 25, a redução de 50% no próprio salário e nos vencimentos dos ministros do governo. A medida foi divulgada em meio à escalada da crise política e aos protestos que bloqueiam estradas e pressionam pela renúncia do presidente.

Durante discurso em Sucre, capital constitucional boliviana, Rodrigo Paz afirmou que o corte representa um gesto de compromisso da administração federal diante da situação econômica e social enfrentada pelo país.

Dados da última tabela salarial disponível no Ministério da Presidência da Bolívia indicam que Rodrigo Paz recebia cerca de R$ 17 mil mensais, enquanto os ministros tinham salários próximos de R$ 15 mil. Com a mudança anunciada, os vencimentos passam para aproximadamente R$ 8 mil e R$ 7 mil, respectivamente.

Quais são as reivindicações dos manifestantes?

A Bolívia entrou na quarta semana consecutiva de manifestações e bloqueios, com impactos sobre o abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos em cidades como La Paz e El Alto. A escassez já afeta mercados, hospitais e postos de gasolina, segundo relatos locais à agência Reuters.

Os atos públicos pedem a revisão das medidas de austeridade fiscal adotadas pelo governo e cobram ações contra o aumento do custo de vida. Nas últimas semanas, dezenas de rodovias de acesso a La Paz foram interditadas por manifestantes.

A inflação boliviana chegou a 14% em abril na comparação anual, segundo dados citados pelo governo. O cenário econômico ocorre após Rodrigo Paz assumir a presidência, em novembro, em meio à maior crise econômica do país em quatro décadas.

O presidente defendeu a política de contenção de gastos e a redução dos subsídios aos combustíveis como medidas voltadas ao equilíbrio das contas públicas. Em meio às manifestações, também descartou negociar com grupos envolvidos em ações violentas.

"Uma minoria não pode governar, uma minoria não pode nos abusar e faremos cumprir a Constituição com firmeza", afirmou.

Durante sessão da OEA, Organização dos Estados Americanos, realizada na última quarta-feira, 20, o chanceler boliviano Fernando Aramayo afirmou que os protestos tentam alterar a “ordem democrática e constitucional” do país.

O governo boliviano também atribui parte da mobilização ao ex-presidente Evo Morales, investigado em um caso relacionado a suposto tráfico de uma menor de idade e atualmente considerado foragido pela Justiça boliviana.

Por outro lado, Morales pediu neste domingo, 24, a convocação de novas eleições presidenciais. "Tem dois caminhos: uma decisão suicida, a militarização, ou (...) pacificação, transição e eleições em 90 dias", declarou durante programa transmitido pela rádio Kawsachun Coca.

Na última quinta-feira, 21, Rodrigo Paz já havia anunciado mudanças ministeriais como tentativa de reduzir a tensão política. O advogado Williams Bascopé assumiu o Ministério do Trabalho no lugar de Edgar Morales.

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