Presidente libanês diz que negociações com Israel serão sem intermediários
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, anunciou nesta segunda-feira que seu país assumirá diretamente as negociações bilaterais com Israel por meio de uma delegação liderada pelo experiente diplomata libanês Simon Karam, e rejeitou a participação de outros atores como intermediários ou em representação do Líbano.
“O Líbano conduzirá as negociações bilaterais por meio de uma delegação liderada pelo embaixador Simon Karam, e ninguém mais participará dessa missão nem substituirá o Líbano”, disse Aoun durante um encontro com uma delegação do partido libanês Frente da Soberania em Beirute, segundo um comunicado da Presidência.
O presidente esclareceu que o objetivo dessas conversas é “suspender as hostilidades, pôr fim à ocupação israelense das regiões do sul e mobilizar o Exército libanês na fronteira sul internacionalmente reconhecida”.
Ele indicou que, durante uma conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, este expressou “sua total compreensão e disposição” em relação às demandas de Beirute e interveio junto a Israel para obter um cessar-fogo e preparar o início de um processo de negociação.
“Essas negociações porão fim à situação anômala e restabelecerão a autoridade e a soberania do Estado libanês sobre todo o seu território, especialmente o sul”, destacou Aoun, que pediu “o mais amplo apoio nacional” para a equipe de negociação libanesa.
Por fim, ele destacou que essas conversas são “independentes de quaisquer outras” e que o Líbano enfrenta duas opções claras: “ou a continuação da guerra, com suas graves repercussões humanitárias, sociais, econômicas e soberanas, ou as negociações para pôr fim a ela e alcançar uma estabilidade sustentável”.
“Eu optei pela negociação na esperança de que possamos salvar o Líbano”, concluiu.
O deputado libanês George Okais, presente na reunião com Aoun, considerou que “a raiz da crise no Líbano reside nas armas do (grupo xiita libanês) Hezbollah”, que se opõe às conversas e lança foguetes e projéteis contra Israel desde 2 de março em apoio ao Irã em sua guerra contra os Estados Unidos e o Estado judeu.
Segundo o parlamentar, cujo partido se opõe à formação xiita, o fato de o Hezbollah portar armas “obstrui o funcionamento do Estado e impede que este as monopolize”.
Desde 2 de março, cerca de 2.300 pessoas morreram devido à ofensiva militar e à invasão terrestre israelense contra o Líbano, que deslocou mais de um milhão de pessoas.
O anúncio do presidente libanês ocorre no âmbito dos esforços impulsionados por Washington para consolidar o cessar-fogo em vigor desde quinta-feira, 16 de abril, e avançar rumo a um acordo mais amplo que restaure a soberania libanesa no sul do país.
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