Prévia da inflação no Brasil, balanço da Vale e juros no Japão: o que move os mercados
A agenda desta terça-feira, 28, concentra indicadores relevantes ao longo de todo o dia e deve ajudar os investidores a recalibrar expectativas para inflação, atividade e política monetária nas principais economias.
O que acompanhar no Brasil
No Brasil, o destaque absoluto é o IPCA-15 de abril, divulgado às 09h, considerado a principal prévia da inflação oficial. A expectativa do mercado é de alta de 1,00% no mês, após avanço de 0,44% na leitura anterior. Em 12 meses, a projeção é de 4,48%, ante 3,90% registrados anteriormente.
O dado é particularmente sensível neste momento, pois pode influenciar diretamente as apostas para a trajetória da Selic.
Em paralelo, o Banco Central (BC) dá início às discussões do Comitê de Política Monetária (Copom) ao longo do dia, com reuniões internas de análise de conjuntura, elevando a importância dos dados domésticos.
O que acompanhar nos Estados Unidos
Nos EUA, o foco se divide entre consumo e atividade. Ao longo da manhã, saem a variação semanal de empregos da ADP, às 09h15, cujo último dado mostrou criação de 54,75 mil vagas, e o índice Redbook, às 09h55, com leitura anual anterior de 6,7%, oferecendo sinais sobre o ritmo do varejo.
Na sequência, às 10h, o mercado acompanha uma bateria de dados de preços de imóveis, com destaque para o índice S&P/CS Composto-20.
A expectativa é de alta anual de 1,0% em fevereiro, desacelerando frente aos 1,2% registrados anteriormente. Na leitura mensal, a projeção é de queda de 0,1%. Já o índice de preços de imóveis mais amplo deve avançar 0,2% no mês.
Em conjunto, esses dados ajudam a calibrar a leitura sobre o mercado imobiliário americano — um dos canais mais sensíveis à política monetária — e seus possíveis desdobramentos sobre consumo, crédito e inflação.
Às 11h, sai o índice de confiança do do Conference Board, acompanhado de perto como termômetro da disposição das famílias em um ambiente de juros elevados. A projeção é de 89,4 pontos, abaixo dos 91,8 registrados anteriormente.
No mesmo horário, também são divulgados indicadores regionais de atividade do Federal Reserve (Fed) de Richmond, incluindo manufatura, serviços e embarques industriais, que ajudam a compor a leitura sobre o ritmo da economia.
Na sequência, às 11h30, o mercado acompanha a perspectiva do setor de serviços do Texas, cuja última leitura foi de -13,3, além do subíndice de receita com serviços do Fed de Dallas, que marcou 1,3, oferecendo sinais adicionais sobre a atividade no setor terciário.
Já no fim do dia, às 17h30, os estoques semanais de petróleo divulgados pelo American Petroleum Institute entram no radar, após queda anterior de 4,4 milhões de barris, com potencial de impactar os preços da commodity e as expectativas de inflação.
Agenda na Europa
A agenda europeia começa cedo e traz sinais relevantes sobre o ritmo econômico e as condições financeiras na região. Às 04h, saem os dados da Espanha, com taxa de desemprego do primeiro trimestre projetada em 9,80%, ante 9,93% anteriormente, além das vendas no varejo de março, que cresceram 2,2% na última leitura anual.
Às 05h, o Banco Central Europeu (BCE) divulga os dados de empréstimos bancários, importantes para avaliar a transmissão da política monetária.
No mesmo horário, a Itália publica as vendas industriais de fevereiro, com queda anterior de 0,30% no mês e de 1,00% na comparação anual.
Na sequência, às 06h, saem os índices de preços ao produtor (PPI) da Itália, com recuo de 0,4% no mês e de 2,7% em termos anuais na última leitura, enquanto às 07h a França divulga o número de candidatos a emprego, que anteriormente somava 3.108,2 mil.
Além disso, um dos pontos de atenção é o discurso da presidente do BCE, Christine Lagarde, previsto para 14h30, que pode trazer pistas sobre os próximos passos da política de juros na região.
O que acompanhar na Ásia
Entre as principais economias globais, o Japão ocupa papel central na agenda. A decisão de política monetária do Banco do Japão é anunciada à meia-noite, com expectativa de manutenção da taxa em 0,75%, acompanhada pela divulgação do relatório de projeções da autoridade.
Na sequência, às 02h, sai o índice de preços ao consumidor (IPC), cuja última leitura anual foi de 2,2%, oferecendo novos sinais sobre a dinâmica inflacionária no país.
Já às 03h30, ocorre a coletiva de imprensa do banco central, momento-chave para avaliar eventuais ajustes na comunicação e pistas sobre os próximos passos da política monetária japonesa.
Na Ásia, outros dados ajudam a completar o quadro: números de comércio exterior de Hong Kong saem às 05h30, enquanto a produção industrial da Índia é divulgada às 07h30.
Já na Austrália, o destaque fica para o IPC no fim do dia, às 22h30, adicionando mais uma referência relevante para o cenário global de inflação.
Vale, Hypera e Neoenergia concentram o mercado doméstico
A terça-feira coloca o investidor diante de uma rodada de balanços que vai além dos números do trimestre e ajuda a calibrar expectativas para os próximos meses.
No Brasil, os balanços de Vale, Hypera e Neoenergia concentram as atenções após o fechamento.
Os resultados da Vale (VALE) devem ser lidos à luz do ciclo de commodities, com atenção à realização de preços, custos e capacidade de geração de caixa.
Na Hypera (HYPE3), o foco recai sobre a sustentação do crescimento e das margens em um ambiente mais competitivo, enquanto a Neoenergia (NEOE3) oferece sinais importantes sobre regulação, eficiência operacional e alavancagem — pontos centrais para a tese do setor elétrico.
Lá fora, a agenda é igualmente densa e diversificada. Em consumo, Coca-Cola (KO) e Starbucks (SBUX) ajudam a medir a resiliência da demanda, com atenção a volumes, preços e margens. No setor industrial e automotivo, General Motors (GM) será acompanhada de perto por sinais sobre rentabilidade e estratégia em veículos elétricos.
Em tecnologia e serviços, Spotify (SPOT) e Visa (V) oferecem pistas sobre monetização, consumo e dinâmica de usuários. Já empresas como Booking Holdings (BKNG) e American Tower (AMT) funcionam como termômetros da atividade global, via volumes, investimentos e tendências de demanda.
Na Novartis (NVS), o mercado deve acompanhar o desempenho por segmento — especialmente medicamentos inovadores e blockbusters — além de atualizações sobre o pipeline de novos produtos e possíveis aprovações regulatórias.
Margens e despesas com P&D também entram no radar, assim como a capacidade de geração de caixa e retorno ao acionista, via dividendos e recompras.
Agenda da semana
A semana ganha densidade a partir de quarta-feira, 29, com uma combinação de indicadores de inflação, atividade e decisões de política monetária que devem guiar o humor dos mercados globais.
No Brasil, o foco se divide entre inflação e juros. Na quarta, saem o IGP-M e o IPP, que ajudam a antecipar tendências de preços ao produtor e ao consumidor. O principal evento, porém, é a decisão do Copom, na noite do mesmo dia, que define o rumo da Selic.
Na quinta, a atenção migra para o mercado de trabalho, com a taxa de desemprego, além de dados fiscais e o Caged, que ajudam a calibrar a leitura sobre atividade e contas públicas.
Nos Estados Unidos, a semana é dominada pelo Fed. Na quarta, além de uma bateria de indicadores — como bens duráveis, balança comercial e dados do setor imobiliário — o Fed anuncia sua decisão de juros, seguida pela coletiva de Jerome Powell.
Na quinta, o destaque é o PIB do primeiro trimestre e o PCE, principal medida de inflação acompanhada pelo banco central. Já na sexta, os PMIs industriais ajudam a medir o ritmo da atividade.
Na Europa, na quarta, a confiança do consumidor oferece um termômetro do sentimento econômico. Na quinta, saem números-chave como inflação, PIB e taxa de desemprego da Zona do Euro, além da decisão de juros do BCE e coletiva de Lagarde.
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