Prévia do PIB e decisões de juros no Brasil e EUA: o que move os mercados

Por Esfera Brasil 17 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Prévia do PIB e decisões de juros no Brasil e EUA: o que move os mercados

Esta quarta-feira, 17, concentra as atenções dos investidores no evento mais importante da semana: a chamada "superquarta", quando os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos anunciam suas decisões de política monetária.

Depois de um pregão marcado pela cautela, com queda do Ibovespa, avanço do dólar e realização de lucros de parte das principais bolsas americanas, o mercado entra em compasso de espera para os comunicados que devem definir o rumo dos ativos nas próximas semanas.

A expectativa predominante é de manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed), enquanto, no Brasil, os investidores acompanham a possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 14,5% ao ano. Mais do que as decisões em si, o foco estará nos sinais que as autoridades monetárias darão sobre os próximos passos da política monetária em um cenário ainda marcado por incertezas fiscais, inflação persistente e mudanças no ambiente geopolítico internacional.

Antes das decisões dos bancos centrais, a agenda econômica traz uma série de indicadores que ajudarão a calibrar as expectativas dos investidores ao longo do dia.

O que acompanhar no Brasil e no exterior

O dia começa com dados de inflação na Europa. Às 3h, o Reino Unido divulga os números de maio do índice de preços ao consumidor (CPI) e de seu núcleo, métricas acompanhadas de perto pelo mercado para avaliar os próximos movimentos do Banco da Inglaterra. Mais tarde, às 6h, será a vez da Zona do Euro publicar os dados consolidados de inflação e núcleo da inflação referentes ao mesmo período.

No Brasil, o principal destaque da manhã será o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de abril, divulgado pelo Banco Central às 9h. Considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), o indicador é acompanhado pelo mercado como um termômetro do ritmo de crescimento do país.

Em março, o índice havia registrado queda de 0,67% na comparação mensal, mas ainda acumulava alta de 3,07% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Nos Estados Unidos, a agenda ganha força a partir das 9h30, com a divulgação das vendas no varejo de maio. O indicador é uma das principais medidas do consumo das famílias americanas e pode oferecer pistas importantes sobre o fôlego da economia em meio aos juros elevados. Às 11h, saem os dados de vendas de moradias existentes, outro termômetro relevante da atividade econômica.

O mercado também acompanhará os estoques semanais de petróleo divulgados pelo Departamento de Energia americano, às 11h30. O dado ganha relevância em um momento em que os preços da commodity voltaram a recuar com a perspectiva de avanço nas negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio e a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.

Fed e Copom no centro das atenções

O ponto alto da sessão será a decisão do Federal Reserve, marcada para as 15h. Além da definição sobre a taxa de juros, os investidores acompanharão a divulgação do Summary of Economic Projections (SEP) e do chamado dot plot, documento que reúne as projeções dos dirigentes do banco central americano para inflação, crescimento, desemprego e juros.

Na sequência, às 15h30, o presidente do Fed, Kevin Warsh, concede entrevista coletiva sobre a decisão, a primeira dele como presidente. O tom de suas declarações pode ser tão importante quanto a decisão em si, especialmente para calibrar as apostas sobre possíveis cortes de juros nos Estados Unidos nos próximos meses.

No Brasil, a expectativa fica para o anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom), previsto para as 18h30. Pelo consenso apurado pela EXAME, o mercado espera um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros.

Mercado chega à superquarta em clima de cautela apesar do alívio geopolítico

A expectativa pelas decisões de juros dominou os negócios na véspera. O Ibovespa encerrou o pregão de terça-feira, 16, em queda de 0,45%, aos 169.648 pontos, pressionado principalmente pela forte desvalorização do petróleo com o acordo para o fim da guerra no Irã e pelo desempenho negativo das ações da Petrobras.

O recuo da commodity ocorreu após avanços nas negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio. O Brent caiu mais de 5% e voltou a ficar abaixo dos US$ 80 por barril, movimento que afetou empresas ligadas ao setor de energia e contribuiu para a realização de lucros na bolsa brasileira.

No câmbio, o dólar avançou 0,39% e fechou cotado a R$ 5,0867, refletindo tanto o enfraquecimento das moedas de países exportadores de commodities quanto as preocupações dos investidores com o cenário fiscal doméstico.

Em Wall Street, o desempenho foi misto. O Dow Jones renovou recordes históricos de fechamento, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq recuaram diante da realização de lucros nas ações de tecnologia. O movimento reforçou o clima de espera que antecede a decisão do Fed.

Além da agenda econômica, investidores também acompanham o noticiário político e institucional no Brasil. O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quarta o julgamento sobre o Marco Civil da Internet, que discute a responsabilidade das plataformas digitais por conteúdos ilícitos publicados por terceiros.

Embora o tema tenha impacto mais concentrado sobre o setor de tecnologia, a decisão é observada pelo mercado por seus potenciais efeitos regulatórios sobre as grandes empresas de internet que atuam no país.

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