Primeira-ministra do Japão é criticada por oferecer presentes a deputados

Por Da redação, com agências 26 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Primeira-ministra do Japão é criticada por oferecer presentes a deputados

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, enfrenta uma nova controvérsia política após a revelação, nessa quarta-feira 25, de que enviou catálogos de presentes a parlamentares de seu partido, o Partido Liberal Democrático (LDP, na sigla em inglês), após a histórica vitória do partido nas eleições legislativas realizadas no início do mês.

Segundo a própria chefe de Estado, mais de 300 parlamentares receberam a possibilidade de escolher um item de um catálogo “como forma de agradecimento pelo sucesso em uma eleição tão desafiadora”. Em mensagem publicada na rede social X, Takaichi ressaltou que os recursos utilizados não tiveram origem em verbas públicas, buscando afastar questionamentos sobre eventual uso indevido de dinheiro dos contribuintes.

Em depoimento ao Parlamento, Takaichi detalhou que o valor de cada presente, incluindo custos de envio e tributos, foi de aproximadamente 30 mil ienes (cerca de R$ 978). Segundo ela, as despesas foram cobertas por recursos de uma estrutura regional do LDP na sua província natal de Nara, que está sob sua liderança política.

Ainda assim, o episódio ocorre em um contexto de elevada sensibilidade política para o LDP, partido que tenta recuperar sua imagem após o escândalo de financiamento irregular que abalou o partido em 2023, que também envolveu presentes. A crise anterior resultou na saída do então primeiro-ministro Fumio Kishida e contribuiu para a perda da maioria parlamentar sob a liderança de Shigeru Ishiba em 2025, ampliando o escrutínio público sobre práticas internas do partido.

Reação da oposição

A oposição reagiu rapidamente. Junya Ogawa, o líder da Aliança Reforma Centrista, composta pelo Partido Democrático Constitucional e o partido Komeito, antigo parceiro do LDP, afirmou que a divulgação do caso pode reforçar a percepção de continuidade de práticas questionáveis dentro do partido. Em publicação no X, ele classificou o episódio como “um novo fato pelo qual a primeira-ministra deverá prestar esclarecimentos”.

Do ponto de vista legal, a legislação japonesa de financiamento político proíbe doações de pessoas físicas diretamente a candidatos, mas permite contribuições a partidos.

Ainda que a iniciativa possa se enquadrar formalmente nesse marco, analistas avaliam que o caso pode reabrir o debate sobre os limites éticos entre apoio partidário, incentivos políticos e práticas que possam ser interpretadas como benefícios pessoais a parlamentares — um tema particularmente sensível em um cenário de desgaste da confiança pública na classe política japonesa.

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