Primeiro filme da história com presença de robô é resgatado de baú de colecionador

Por Luiz Anversa 25 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Primeiro filme da história com presença de robô é resgatado de baú de colecionador

Um raro filme mudo de 1897, considerado perdido por mais de um século e recentemente redescoberto nos Estados Unidos dentro de um antigo baú, vem sendo apontado como o primeiro registro da presença de um robô no cinema. Trata-se do curta-metragem francês “Gugusse e o Autômato”, com cerca de 45 segundos de duração, dirigido por Georges Méliès, cineasta conhecido principalmente por “Viagem à Lua” (1902).

O material foi encontrado no estado de Michigan, entre rolos de filmes antigos que pertenciam ao bisavô de Bill McFarland, professor aposentado. Mesmo sem saber exatamente o conteúdo das películas, McFarland reconheceu o valor histórico da descoberta e encaminhou o acervo à Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, onde especialistas identificaram itens de grande relevância para a história do cinema.

O curta chama atenção por retratar um autômato, antecessor dos robôs modernos, com aparência de palhaço, posicionado sobre um pedestal e interagindo com um mágico. Durante a cena, o mágico gira uma manivela, fazendo com que o autômato — inicialmente do tamanho de uma criança — cresça até atingir estatura adulta e passe a atacar seu criador com um bastão. O mágico reage usando um martelo, e, a cada golpe, a figura diminui de tamanho até desaparecer completamente.

Segundo o site IFL Science, a cópia de “Gugusse e o Autômato”, que até então não tinha uma versão acessível para exibição, estava entre dez rolos de filmes de nitrato em avançado estado de deterioração. Alguns estavam completamente esfarelados, enquanto outros apresentavam tiras coladas umas às outras.

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Além desse curta, a equipe identificou no mesmo conjunto outra obra de Méliès, “A Luta entre o Gordo e o Magro”, e fragmentos de “O Estábulo em Chamas”, produção atribuída a Thomas Edison. A autoria de Méliès foi confirmada pela presença de uma estrela pintada em um pedestal no centro da tela, símbolo utilizado como logotipo da Star Film Company, produtora do cineasta.

O primeiro robô do cinema

Um dos aspectos mais curiosos de “Gugusse e o Autômato” é que o filme foi produzido cerca de 20 anos antes do surgimento do termo “robô”, utilizado pela primeira vez em 1920, na peça “R.U.R. (Robôs Universais de Rossum)”, do escritor tcheco Karel Čapek.

De acordo com Jason Evans Groth, curador de imagens em movimento da Biblioteca do Congresso dos EUA, o filme de Méliès representa “provavelmente o primeiro registro de um robô capturado em uma imagem em movimento”.

Legado de Georges Méliès

Pioneiro da linguagem cinematográfica, Méliès ficou conhecido pelo uso de truques de ilusionismo, cortes criativos e pelo desenvolvimento de técnicas como sobreposição de imagens, telas pretas e perspectiva forçada, recursos que se tornaram fundamentais para o cinema ao longo do século XX.

Estimativas indicam que o cineasta tenha produzido mais de 500 filmes ao longo da carreira. No entanto, devido ao uso da película de nitrato, material altamente inflamável e suscetível à deterioração, grande parte de sua obra se perdeu com o tempo. Atualmente, calcula-se que cerca de 300 produções de Méliès ainda existam.

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