Primo de Luciano Hang trocou a Havan para cuidar de R$ 6 bilhões em imóveis no litoral de SC
Jordan Hang é primo de Luciano Hang, o fundador da Havan, e passou quase uma década dentro da empresa, uma das maiores varejistas do país. Ali, cuidando do marketing, acompanhou de perto a expansão da marca e a operação de comunicação que rodava porta adentro, com agência própria.
Saiu em 2020. Levou consigo o aprendizado de um setor que, segundo ele, briga "por uma margem muito baixa" e investe mais de 250 milhões de reais por ano em comunicação.
O que ele montou depois foi o Grupo JH, hoje com três frentes voltadas ao mercado imobiliário: uma empresa que faz a gestão de lançamentos, uma de tecnologia para administrar essas operações e uma agência de marketing e estratégia.
Juntas, fazem a gestão de 6 bilhões de reais em lançamentos imobiliários nos três estados do Sul — volume sob administração, não faturamento, como o próprio Jordan faz questão de distinguir.
Na semana anterior à entrevista, diz ter fechado mais um contrato de 500 milhões de reais para os próximos 24 meses. No primeiro trimestre, foram 150 milhões de reais vendidos apenas na faixa entre Itajaí e Porto Belo.
No modelo de negócio de Jordan, a empresa só é remunerada quando a venda acontece. Não há comissão fixa, não há cobrança por campanha publicitária. "O nosso modelo de negócio é 100% sobre o ganho do cliente, então a gente entra no risco, virando quase um sócio do cliente", diz Hang.
É essa lógica de risco compartilhado que ele usa para justificar a agressividade da operação. Quando entra em um projeto, diz Jordan, o pior cenário possível não cobra nada do incorporador. "O pior dos casos a gente não vende, a gente não performa, no mínimo ele ganhou um posicionamento de marca porque não precisa pagar", afirma.
A sustentação disso, segundo ele, é caixa próprio — a empresa banca a estrutura antes de ver retorno.
Para 2026, a meta é quadruplicar o investimento da agência de estratégia, que ultrapassou os sete dígitos de faturamento no ano passado. Jordan aposta em acelerar justamente num ano de Copa do Mundo e eleição, período em que parte dos empreendedores trava decisões. A leitura dele é a oposta: quem quer faturamento procura quem é pago por faturamento.
Por que largou o varejo pela construção
A virada para o setor imobiliário veio de uma conversa.
Jordan conta que conheceu um empreendedor do litoral catarinense num evento, e ele descreveu um bairro planejado para abrigar 27 mil pessoas. "Cara, isso não existe, isso não é possível", lembra ter pensado, antes de ver o projeto e mudar de ideia.
Mas o que o convenceu de vez foi a conta. No varejo, diz, a disputa é por frações de margem. Na construção civil, a remuneração corre sobre percentual — corretor, gerente e parceiros ganham sobre o que vendem.
Foi aí que ele enxergou espaço para juntar duas coisas: a velocidade de venda e a comunicação que aprendeu no varejo de alto volume, e um modelo de remuneração atrelado a resultado, mais comum na incorporação.
Vender um prédio em 45 minutos
O argumento de venda mais concreto de Jordan é um caso. Em Brusque, no interior de Santa Catarina, ele diz ter vendido um prédio inteiro em 45 minutos no lançamento, tudo via sistema. Em Porto Belo, ao lado de Balneário Camboriú, afirma reduzir o tempo de comercialização de um produto de dois anos para 30 dias.
A tecnologia que sustenta isso é a MIleads, a empresa do grupo que administra os lançamentos do atendimento ao pós-venda contratual.
É ela que organiza a operação que, no discurso de Jordan, encurta meses de venda em semanas — e, no caso de Brusque, em minutos.
A crítica que Jordan faz ao mercado publicitário tradicional é estrutural. Para ele, a agência clássica separa quem atende o cliente de quem cria, e o resultado é uma comunicação "superficial" e "engessada", distante do lucro de quem paga.
Por isso recusa o rótulo de agência de marketing e prefere "agência de estratégia com ênfase em comunicação", com o time criativo dentro da operação do cliente.
Por enquanto, o modelo se sustenta no litoral catarinense, uma das regiões que mais valorizam no país. O plano de Jordan agora é levar a operação para outros estados.
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