Primo dos crocodilos era 'banguela' e viveu há 200 milhões de anos

Por Vanessa Loiola 28 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Primo dos crocodilos era 'banguela' e viveu há 200 milhões de anos

Paleontólogos descreveram uma nova espécie de réptil do período Triássico que desafia a imagem tradicional dos ancestrais dos crocodilos. Batizado de Labrujasuchus expectatus, o animal viveu há cerca de 201 milhões de anos, andava sobre duas patas, tinha bico, mas era banguela.

A descoberta foi feita por pesquisadores do Natural History Museum of Los Angeles County em fósseis encontrados na região de Ghost Ranch, no estado americano do Novo México. O estudo foi publicado na revista científica Journal of Vertebrate Paleontology.

Fóssil revelou características incomuns

Apesar de ser um ancestral distante dos crocodilos, o Labrujasuchus expectatus tinha aparência muito diferente dos répteis modernos. Segundo os pesquisadores, o animal fazia parte da família Shuvosauridae, grupo de répteis antigos ligados à linhagem evolutiva dos crocodilos, mas que também apresentava características semelhantes às aves e aos dinossauros bípedes.

Além da ausência de dentes, os fósseis indicam que a espécie tinha postura ereta e locomoção sobre duas patas, algo considerado incomum entre parentes antigos dos crocodilos.

O que a descoberta revela sobre o Triássico?

Os cientistas afirmam que o período Triássico foi marcado por uma enorme diversidade de adaptações evolutivas entre diferentes grupos de animais.

Segundo os autores, muitas estratégias biológicas observadas em animais modernos surgiram inicialmente nessa época, incluindo formas variadas de locomoção e alimentação.

A pesquisa também reforça o conceito de evolução convergente, quando espécies sem parentesco próximo desenvolvem características parecidas para desempenhar funções semelhantes.

Para os paleontólogos, o bipedalismo (sustentar-se sobre duas pernas) do Labrujasuchus expectatus é um exemplo desse fenômeno, já que a característica também apareceu independentemente em dinossauros e aves.

Espécie ajuda a preencher lacuna evolutiva

Os pesquisadores afirmam que a nova espécie representa uma ligação importante entre shuvossauros mais antigos e formas posteriores já conhecidas pela ciência.

Segundo a equipe, a descoberta era considerada provável devido às diferenças evolutivas observadas entre espécies do grupo encontradas anteriormente em Ghost Ranch, região no Novo México, nos EUA, conhecida pela grande quantidade de fósseis do Triássico.

A denominação Labrujasuchus faz referência ao antigo nome espanhol da região, “Rancho de Los Brujos”, combinado ao termo grego usado para Sobek, divindade egípcia associada aos crocodilos.

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