PRIO tem prejuízo no 4º tri, mas mercado mantém confiança na 'queridinha' do petróleo
A petroleira PRIO (PRIO3) teve um prejuízo líquido de US$ 185 milhões no quarto trimestre, mas o resultado não afetou a visão dos analistas sobre a tese da empresa.
Entre produção crescente, custos em queda e novos projetos entrando em operação, a avaliação sobre a empresa segue intacta, embora alguns pontos do trimestre tenham ficado abaixo do esperado.
O principal fator de baixa foi o forte aumento das despesas de depreciação e amortização, segundo a Genial Investimentos. O montante alcançou US$ 306 milhões, 140% a mais na base anual.
Também pesou no resultado um ajuste na base tributável provocado pela valorização do real frente ao dólar, que afetou o valor contábil de ativos imobilizados e intangíveis da companhia.
Resultado sólido, mas preços frustrantes
No quarto trimestre, a PRIO reportou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) de cerca de US$ 341 milhões, avanço de 19% em relação ao trimestre anterior e de 7% na comparação anual.
Ainda assim, o resultado veio 6,5% abaixo da estimativa do Bradesco BBI e do consenso de mercado. O resultado foi impactado por preços mais baixos do petróleo Brent no período.
Proteção: custo de extração caiu
Por outro lado, o custo de extração caiu. O chamado lifting cost recuou 28% trimestralmente, para US$ 12,5 por barril, refletindo a recuperação da produção e ganhos de eficiência operacional, de acordo com o BBI.
A PRIO pontuou, neste cenário, que "a melhor proteção contra a volatilidade do preço do petróleo está no controle dos custos e na manutenção de um lifting cost baixo."
"Ao longo de 2026, com o início da produção de Wahoo e o avanço da otimização de custos em Peregrino, iremos retomar níveis (de lifting cost) similares aos apresentados em 2023", acrescentou.
O início da produção no campo de Wahoo deve ser o principal gatilho para as ações no curto prazo, na visão do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME).
Além disso, a integração do campo Peregrino abre espaço para captura de sinergias operacionais.
Produção recorde de barris
O ano de 2025 foi de forte expansão operacional também, com a PRIO registrando produção média recorde de 106,4 mil barris por dia e vendas de 37,8 milhões de barris ao longo do ano.
No acumulado de 2025, a empresa reportou receita de US$ 2,5 bilhões, Ebitda ajustado de US$ 1,4 bilhão e lucro líquido ajustado de US$ 405 milhões.
O fluxo de caixa livre para o acionista ficou ligeiramente negativo na visão do BTG Pactual, diante do nível mais alto de capex das novas perfurações e intervenções em poços.
Já a dívida líquida subiu para cerca de US$ 4,3 bilhões, levando o indicador dívida líquida/Ebitda a cerca de 2,3 vezes.
O que o investidor deve observar
Mesmo com um trimestre sem grandes surpresas positivas, a avaliação predominante entre analistas é de que a PRIO segue com fundamentos fortes.
O crescimento da produção, a queda de custos e a entrada de novos projetos reforçam a tese de longo prazo.
Ao mesmo tempo, a integração de novos ativos e o aumento do endividamento colocam o foco do mercado na capacidade da empresa de transformar expansão operacional em geração de caixa consistente.
Nos próximos meses, mais do que os números trimestrais, o mercado deve acompanhar a entrada em operação de Wahoo, a captura de sinergias em Peregrino e a evolução do perfil de produção dos campos.
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