Procuradores temem que a compra da Warner pela Netflix possa causar prejuízos aos consumidores
Procuradores-gerais estaduais, liderados por dois republicanos, enviaram carta ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos nesta terça-feira, 24, para contestar a proposta de aquisição dos estúdios da Warner Bros. Discovery pela Netflix, sob a alegação de impacto negativo aos consumidores.
O movimento amplia a pressão política sobre a operação em análise pelas autoridades antitruste, em meio a disputa entre a Netflix e a Paramount pela compra da companhia de mídia.
Mike Hilgers, do Nebraska, e Austin Knudsen, de Montana, afirmaram que um eventual acordo entre a Netflix e a Warner Bros. Discovery poderá resultar em preços mais altos, menor confiabilidade dos serviços e redução da inovação na indústria do entretenimento. Ao todo, 11 procuradores-gerais assinaram o documento encaminhado ao Departamento de Justiça.
Os signatários também classificaram a fusão como “desastrosa” para a indústria cinematográfica. No texto, citaram a posição histórica da Netflix em relação à exibição de filmes em salas de cinema, prática que difere do modelo tradicional de estúdios.
A Netflix declarou que pretende lançar os filmes da Warner Bros. exclusivamente nos cinemas por 45 dias. A empresa informou ainda que distribuiu mais de 100 filmes no último ano, incluindo mais de uma dúzia com exibições limitadas em salas de cinema.
A companhia soma mais de 325 milhões de assinantes pagos no mundo e se consolidou como alternativa aos pacotes de TV por assinatura, com oferta de temporadas completas de séries para consumo sob demanda, informou a Bloomberg O modelo, conhecido como streaming, permitiu aos usuários assistir a episódios sem depender de grade semanal de programação.
A briga entre Netflix e Paramount
A Netflix disputa a aquisição dos estúdios da Warner Bros. e da HBO em um processo competitivo que envolve a Paramount Skydance Corp.
A Warner Bros informou nesta terça-feira, 24, que a Paramount Skydance apresentou uma nova proposta de compra, movimento que pode levar a companhia a reavaliar o acordo previamente firmado com a Netflix.[/grifar] O comunicado foi divulgado ao mercado em meio à disputa em curso pelo controle dos ativos do grupo.
A Paramount propôs US$ 31 por ação por toda a Warner Bros. Discovery, enquanto a Netflix oferece US$ 27,75 por ação dessas divisões da Warner Bros. A companhia também planeja vender suas redes de TV paga a investidores, como parte de sua reestruturação.
A nova investida ocorre no contexto de uma negociação que mobiliza executivos e investidores em Hollywood e no setor de mídia dos Estados Unidos. O tema também é acompanhado pelo presidente Donald Trump, segundo relatos públicos sobre o processo.
O conselho de administração da WBD declarou que “é razoável esperar” que a proposta da Paramount resulte em uma oferta superior à atualmente firmada com a Netflix. A manifestação indica que a empresa poderá revisar os termos já estabelecidos, caso a nova oferta seja considerada mais vantajosa.
A disputa envolve ativos estratégicos da companhia e ocorre em um cenário de consolidação no setor de entretenimento e mídia. Até o momento, a empresa não informou prazo para uma decisão definitiva sobre a proposta apresentada.
A influência de Trump
O presidente Donald Trump pediu publicamente que a Netflix demita a conselheira Susan Rice, em meio à disputa pela aquisição da Warner Bros.[/grifar] A manifestação ocorreu após declarações de Rice sobre possíveis consequências políticas a empresas que se alinhem ao republicano.
Em publicação na rede Truth Social, neste sábado, 21, Trump afirmou que a plataforma de streaming deveria afastar Rice do conselho de administração ou “arcar com as consequências”. Ele classificou a ex-chefe de política doméstica do governo de Joe Biden como “apenas uma militante política” e declarou que “o poder dela acabou e nunca mais vai voltar”.
Rice integra o conselho da Netflix desde 2023. Na semana anterior, em participação em um podcast, afirmou que empresas que “se curvarem” a Trump poderão enfrentar responsabilização futura.
“Provavelmente vai haver uma virada para o outro lado, e eles vão ser responsabilizados por quem entrar em oposição ao Trump e ganhar nas urnas”, disse Rice ao ex-promotor federal Preet Bharara. Ela acrescentou que, caso os democratas retornem ao poder, não haverá complacência com corporações que tenham demitido funcionários ou flexibilizado políticas em resposta a pressões políticas.
A ofensiva ocorre enquanto a Netflix tenta avançar na aquisição da Warner Bros., proposta que exclui os canais de TV por assinatura do grupo, incluindo a CNN. O acordo está sob análise do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que avalia a operação sob a ótica concorrencial.
Segundo o Wall Street Journal, o órgão examina se a fusão pode reduzir a competição e também questiona como aquisições anteriores da Netflix impactaram o mercado de talentos criativos. A Bloomberg informou que a agência analisa se a companhia adota práticas anticompetitivas em negociações com criadores independentes de conteúdo.
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