Projeto Stargate, de Trump e big techs, perde força como aposta de infraestrutura de IA
A OpenAI reformulou a joint venture Stargate, apresentada em 2025 como um megaprojeto de US$ 500 bilhões para ampliar infraestrutura de inteligência artificial e resolver gargalos na cadeia de suprimentos, mas que hoje perdeu protagonismo diante de contratos individuais mais vantajosos para a criadora do ChatGPT.
Lançado com apoio do então presidente Donald Trump, o plano reunia Oracle, SoftBank e MGX, fundo de investimento dos Emirados Árabes Unidos, em uma iniciativa voltada à construção de centros de processamento de dados. Na prática, porém, a estratégia foi sendo diluída à medida que a OpenAI passou a negociar diretamente com empresas interessadas em fornecer capacidade computacional.
“Não sei o que ‘Stargate’ significa neste momento”, afirmou uma fonte ao jornal Financial Times, acrescentando que a estratégia estaria “completamente antiquada”. Hoje, o nome funciona mais como uma espécie de marca guarda-chuva para os acordos de infraestrutura da companhia.
Compromissos individuais com empresas como Oracle, AMD, Broadcom, Nvidia, CoreWeave e Cerebras já superam US$ 1 trilhão em investimentos somados. O maior deles foi firmado com a Oracle, que prometeu 4,5 gigawatts de capacidade computacional ao longo de cinco anos em um contrato estimado em US$ 300 bilhões.
Microsoft aproveita espaço deixado pela OpenAI
A mudança de rota, no entanto, gerou desgaste com parceiros que haviam investido antecipadamente esperando contratos mais robustos com a OpenAI. A Nscale, startup britânica de computação em nuvem, apostou em expansão para locar capacidade à empresa, mas acabou preterida quando a Microsoft assumiu o espaço.
Segundo uma fonte próxima à Crusoe, desenvolvedora do projeto de Abilene, no Texas, a Microsoft era vista como uma inquilina mais confiável que a rival. A percepção reforçou o movimento de substituição da OpenAI em diferentes frentes de expansão de infraestrutura.
Além de cancelar projetos terrestres no Reino Unido, a joint venture desistiu de ampliar sua principal instalação em Abilene. Em paralelo, executivos ligados ao projeto migraram para a Meta, que acelera investimentos em inteligência artificial e infraestrutura própria.
Nos ativos abandonados pela Stargate, outras gigantes passaram a ocupar o espaço — principalmente a Microsoft, que assumiu capacidade em Abilene e também no centro de dados de Narvik, na Noruega.
Apesar das turbulências, a OpenAI sustenta que está à frente do cronograma original. A companhia afirma ter garantido mais de 8 gigawatts de capacidade computacional e projeta investir mais de US$ 600 bilhões até o fim da década, superando a meta inicial do projeto.
Esse volume coloca a startup em patamar semelhante ao de Amazon, Google, Microsoft e Meta em termos de comprometimento de capital, embora ainda sem a geração de caixa que sustenta seus principais concorrentes no setor.
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