Protestos em La Paz deixam feridos em protestos contra governo na Bolívia
Policiais de choque entraram em confronto nesta segunda-feira, 18, com manifestantes que exigiam a renúncia do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, em meio a bloqueios que mantêm a capital política do país sitiada há mais de duas semanas.
A crise ocorre apenas seis meses após sua posse e expõe a pressão de camponeses, operários, mineiros e professores, que cobram medidas diante da pior crise econômica da Bolívia em quatro décadas.
Segundo relatos de jornalistas da AFP, manifestantes tentaram avançar ao meio-dia em direção à praça de armas, onde fica o Palácio do Governo, utilizando pedras, paus e explosivos artesanais.
Centenas de policiais de choque reagiram com gás lacrimogêneo e conseguiram conter os manifestantes após várias horas de confronto. Uma densa nuvem de fumaça tomou conta das ruas do centro de La Paz.
Durante a escalada de tensão, o Ministério Público boliviano ordenou a prisão de um dos líderes do movimento, Mario Argollo, representante da Central Operária Boliviana, sob acusação de “instigação pública ao delito” e “terrorismo”.
Também houve registro de saque a uma sede do registro nacional de bens e incêndio de um veículo policial.
O governo atribui parte da instabilidade ao ex-presidente Evo Morales, que está foragido em meio a acusações de tráfico de menor e vive na região do Chapare desde 2024.
Segundo autoridades, grupos ligados ao ex-presidente estariam por trás das mobilizações que pedem a renúncia de Paz.
Em publicação na rede social X, Morales afirmou que os líderes sindicais são vítimas de “perseguição brutal” e acusou o governo de reprimir protestos contra o modelo econômico atual.
Uma marcha de apoiadores do ex-presidente chegou a La Paz após sete dias de caminhada e se uniu aos protestos na capital.
Bolívia enfrenta pior crise econômica em 40 anos
A Bolívia vive sua crise econômica mais grave desde os anos 1980, com escassez de dólares, inflação anual de 14% e aumento no preço dos combustíveis após o fim de subsídios.
Desde que assumiu, Paz eliminou subsídios ao diesel e à gasolina, o que agravou a pressão social e ampliou o custo de vida.
“É um governo vendepátria que está rifando nossos recursos naturais para as transnacionais”, disse um manifestante à AFP.
Apesar de operações policiais para liberar acessos à capital, as estradas seguem bloqueadas em várias regiões. Segundo autoridades, há pelo menos 32 bloqueios ativos no país.
O governo anunciou a abertura temporária de um “corredor humanitário” para permitir o abastecimento de alimentos e combustíveis em La Paz.
Militares e policiais também mantêm operações para tentar reabrir rotas estratégicas, enquanto a tensão segue elevada na capital boliviana.
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