Protestos se intensificam na Bolívia em meio à crise econômica

Por Estela Marconi 26 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Protestos se intensificam na Bolívia em meio à crise econômica

Milhares de manifestantes marcharam nesta segunda-feira em La Paz para exigir a renúncia do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, em um cenário de protestos que já se estende por quatro semanas e provoca escassez de produtos básicos em diferentes regiões do país.

As mobilizações ocorrem em meio ao agravamento da crise econômica boliviana, considerada por autoridades e analistas locais como a mais grave em quatro décadas. O governo de Paz, que assumiu o poder em novembro após duas décadas de administrações ligadas à esquerda, tenta equilibrar a abertura econômica com a contenção da instabilidade social.

Em meio à pressão nas ruas, o presidente afirmou em entrevista que o país enfrenta uma tentativa de desestabilização política. Segundo ele, há interesses internos e externos que buscam enfraquecer a democracia boliviana e ampliar o cenário de desordem.

“Esta é uma questão sobre saber se a democracia na Bolívia é viável ou não”, disse Paz, ao classificar a crise como um teste para a transição econômica e institucional do país.

Os protestos foram convocados por sindicatos e organizações sociais e têm como um dos principais articuladores a Central Operária Boliviana (COB).

As manifestações incluem bloqueios em cerca de cinquenta pontos rodoviários, o que afeta o abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos em cidades como La Paz, El Alto, Cochabamba, Potosí e Oruro.

O governo alterna tentativas de diálogo com o uso de forças de segurança para conter os atos. Nesta segunda-feira, a região central de La Paz registrou novos confrontos entre policiais e manifestantes, com o entorno do palácio presidencial cercado por grades e efetivo de choque.

Diante da escalada da crise, Paz anunciou a redução do próprio salário pela metade e voltou a defender negociações com setores moderados dos protestos. Ao mesmo tempo, descartou diálogo com grupos que adotem violência e afirmou que o governo fará cumprir a Constituição.

As tensões também atingem o campo político e histórico do país. O presidente associa parte da mobilização a setores ligados ao ex-presidente Evo Morales, que governou o país por cerca de 20 anos e mantém influência em regiões rurais e produtivas.

Os manifestantes, por sua vez, acusam o governo de não conter a crise econômica, criticam a política liberal adotada por Paz e pedem mudanças imediatas, incluindo reajustes salariais e revisão da política de combustíveis. Há ainda relatos de escassez de gasolina e impactos no transporte em várias regiões.

O governo dos Estados Unidos informou ter iniciado o envio de assistência alimentar e apoio logístico emergencial à Bolívia diante do impacto dos bloqueios.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que Washington não permitirá que “criminosos e traficantes de drogas derrubem líderes democraticamente eleitos no hemisfério”.

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