PSD deve definir pré-candidato nesta semana com Ratinho como favorito

Por André Martins 23 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
PSD deve definir pré-candidato nesta semana com Ratinho como favorito

Na véspera do prazo de desincompatibilização de autoridades que pretendem concorrer nas eleições de 2026, o PSD deve anunciar nesta semana o nome que representará o partido como pré-candidato à Presidência da República. A expectativa interna é de que o escolhido seja o governador do Paraná, Ratinho Jr, hoje o mais competitivo entre os quadros da legenda.

Além dele, o partido também considera os governadores Eduardo Leite (RS) e Ronaldo Caiado (GO) como alternativas viáveis para a disputa presidencial. As três opções refletem a estratégia da sigla de ampliar sua presença nacional e ocupar um espaço fora da polarização tradicional.

Segundo interlocutores próximos ao presidente do partido, Gilberto Kassab, o objetivo é posicionar o PSD como uma força de direita moderada, sem alinhamento automático à família Bolsonaro. A movimentação ocorre em meio à tentativa de reorganização do campo conservador para as eleições de 2026.

Nas pesquisas eleitorais mais recentes, Ratinho Jr lidera entre os nomes do PSD, com intenções de voto que variam entre 5% e 9%, seguido por Caiado e Leite. No cenário geral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecem em empate técnico.

Fundado em 2011, o PSD construiu presença relevante no sistema político brasileiro. Na última eleição municipal, o partido elegeu 891 prefeitos e mantém atualmente seis governadores em exercício.

A sigla também integrou todas as administrações federais desde sua criação, com participação nos governos de Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e, atualmente, com três ministérios na gestão Lula.

Kassab, além de liderar o partido, ocupa cargo no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, o que amplia a influência da legenda em diferentes esferas de poder.

Terceira via e fragmentação da direita

Analistas políticos ouvidos pela EXAME avaliam que a consolidação de um nome do PSD como alternativa viável reforça a fragmentação da direita. A tendência é de que o campo conservador chegue ao primeiro turno dividido entre o núcleo bolsonarista e um bloco que tenta se apresentar como opção mais moderada.

Em entrevista recente, Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da consultoria de risco político Eurasia, afirmou que o sucesso de uma terceira via depende diretamente do desempenho de Flávio Bolsonaro.

"A viabilidade de uma terceira via existe, mas depende da capacidade de Flávio Bolsonaro de se consolidar como candidato competitivo e ampliar sua agenda além do legado familiar", afirmou Garman.

Segundo ele, fatores como eventuais controvérsias políticas ou dificuldades de articulação podem abrir espaço para outro nome avançar ao segundo turno.

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