Psol impõe derrota a Boulos e rejeita federação com o PT por ampla maioria
O Diretório Nacional do Psol rejeitou, em votação realizada neste sábado, 7, a proposta de ingressar na federação composta por PT, PCdoB e PV.
O resultado representa uma derrota política significativa para o grupo liderado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que era o principal entusiasta da unificação. Com um placar elástico de 47 votos contrários e apenas 15 favoráveis, o partido optou por preservar sua autonomia institucional, evitando uma fusão administrativa que duraria, no mínimo, quatro anos.
A decisão foi tomada durante reunião em Brasília, onde as alas internas do partido debateram o futuro da sigla no xadrez eleitoral de 2026. Além de negar o abraço oficial ao PT, o Psol também decidiu não renovar a federação atual com a Rede Sustentabilidade. No entanto, para evitar uma ruptura com o Palácio do Planalto, a legenda aprovou por unanimidade o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sinalizando que a independência partidária não significa oposição ao governo.
A divisão interna ficou nítida durante o encontro. De um lado, o grupo Revolução Solidária, de Boulos e Erika Hilton, defendia que a federação ampliaria o tempo de TV e os recursos do fundo partidário. Do outro, correntes como Primavera Socialista e Movimento Esquerda Socialista (MES) argumentaram que a união formal diluiria o programa do Psol e retiraria a liberdade de crítica em votações no Congresso Nacional, especialmente em temas fiscais e ambientais.
Estratégia parlamentar
A manutenção da identidade própria é vista por lideranças como Paula Coradi, presidente da legenda, como o caminho para ampliar a bancada de deputados federais de forma orgânica.
Ao rejeitar a federação, o Psol evita ser engolido pela estrutura majoritária do PT nas disputas proporcionais, mantendo sua capacidade de atrair o eleitorado mais à esquerda que busca uma alternativa ao governismo tradicional. A estratégia foca no fortalecimento do partido como uma força independente, mas aliada no campo programático.
Para Guilherme Boulos, o resultado deste sábado, 7, impõe um desafio de articulação interna. Sendo um dos ministros mais próximos de Lula, ele buscava consolidar o Psol como o parceiro prioritário do petismo.
Agora, o ministro precisará navegar em uma sigla que, embora o apoie, faz questão de marcar território diante das decisões da Esplanada dos Ministérios. A derrota no diretório mostra que, apesar de sua liderança popular, as instâncias burocráticas do partido ainda priorizam a sobrevivência da sigla como entidade autônoma.
(Com O Globo)
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