PT reduz candidatos a governador e prioriza alianças para reeleger Lula
O Partido dos Trabalhadores (PT) deve lançar seu menor número de candidatos a governador em 2026, ao priorizar alianças para fortalecer a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Até o momento, a sigla trabalha com nove nomes próprios nos estados.
A estratégia ocorre em meio à pressão pelo desempenho de Lula nas pesquisas de intenção de voto e marca uma mudança em relação a eleições anteriores, com maior abertura de palanques a aliados.
As negociações ganham força com o fim da janela partidária e o prazo de desincompatibilização. O partido decidiu abrir mão de candidaturas próprias em estados estratégicos, especialmente onde o bolsonarismo tem maior força, como na região Sul.
Nos bastidores, dirigentes afirmam que o objetivo é “perder por menos” em estados como Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, evitando impactos negativos na disputa presidencial.
Nesse contexto, o Senado ganhou prioridade. No RS, o PT avalia retirar a candidatura de Edegar Pretto para apoiar Juliana Brizola, enquanto Paulo Pimenta deve concorrer ao Senado.
Apoios em estados-chave e foco no Congresso
A legenda também não terá candidato em estados com grande peso eleitoral, como Rio de Janeiro — onde apoiará Eduardo Paes — e Minas Gerais, onde há articulações para lançar Rodrigo Pacheco.
Outros apoios incluem João Campos em Pernambuco, Omar Aziz no Amazonas e Fábio Mitidieri na tentativa de reeleição em Sergipe.
Segundo o deputado Lindbergh Farias, a redução de candidaturas próprias reflete a ampliação de alianças para enfrentar a oposição, em referência indireta ao senador Flávio Bolsonaro.
A estratégia enfrenta resistência dentro do partido. Críticos avaliam que a ausência de candidaturas a governador pode enfraquecer a formação da bancada federal e reduzir a presença regional do PT.
Já aliados da direção defendem que Lula será o principal puxador de votos para a Câmara, compensando a menor capilaridade estadual.
O partido também busca ampliar sua bancada federal em cerca de 20 deputados e evitar um avanço da oposição no Senado.
Prioridade nos estados governados pelo PT
A legenda deve concentrar esforços na manutenção dos governos que já comanda: Piauí, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte.
Entre esses, o cenário mais delicado é no RN, onde a governadora Fátima Bezerra enfrenta alta desaprovação. No estado, o PT lançou Cadu Xavier como pré-candidato ao governo.
No São Paulo, o partido aposta no ministro Fernando Haddad para enfrentar o governador Tarcísio de Freitas, mesmo considerando a vitória improvável.
Ainda há indefinições em estados como Goiás, Maranhão e Roraima, onde o PT avalia lançar candidatos próprios ou apoiar aliados.
Em 2022, o partido lançou 13 candidatos a governador. O número atual, se confirmado, será o menor desde 2010, refletindo a centralidade da eleição presidencial na estratégia da legenda.
*Com O Globo
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