Putin se oferece para mediar acordo entre Irã e EUA após impasses
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse neste domingo, 12, ao presidente iraniano Masoud Pezeshkian que está pronto para ajudar a mediar esforços por uma solução diplomática e pela paz no Oriente Médio. A informação foi divulgada pelo Kremlin após conversa telefônica entre os dois líderes.
Segundo o comunicado, Putin ressaltou sua "disponibilidade para facilitar a busca de uma solução política e diplomática para o conflito" e para contribuir com uma "paz justa e duradoura" na região.
A ligação ocorre após negociações entre Irã e Estados Unidos, realizadas no Paquistão, terminarem sem consenso.
Pezeshkian expressou "apreço" pela posição da Rússia na tentativa de reduzir tensões e agradeceu pela ajuda humanitária prestada ao povo iraniano. O presidente iraniano também felicitou Putin e os cristãos ortodoxos russos pela Páscoa.
No Leste Europeu, o cenário permanece instável. Rússia e Ucrânia, em guerra há quatro anos, decretaram um cessar-fogo temporário durante o feriado, mas trocaram acusações de violação da trégua. As hostilidades foram suspensas, em tese, a partir de sábado, com duração prevista de 32 horas.
Negociações terminam sem acordo
As negociações de paz entre Estados Unidos e Irã foram encerradas neste domingo, 12, em Islamabad, sem acordo após 21 horas de diálogo direto — o primeiro em 47 anos.
O governo do Paquistão, que atuou como mediador, pediu que ambos os lados mantenham o compromisso com o cessar-fogo firmado na última quarta-feira.
O ministro das Relações Exteriores paquistanês, Ishaq Dar, afirmou que espera continuidade do diálogo em busca de estabilidade regional. Segundo ele, o país participou de várias rodadas de negociações consideradas intensas e construtivas.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, confirmou que não houve consenso e afirmou que a delegação americana deixou a capital paquistanesa com uma "última oferta", descrita como um "acordo de entendimento". Ele disse que Washington apresentou termos claros, mas que não foram aceitos por Teerã.
Vance evitou detalhar as conversas, mas apontou que o principal impasse foi a ausência de um compromisso do Irã de não desenvolver armas nucleares no longo prazo.
“Precisamos ver um compromisso firme de que não buscarão uma arma nuclear”, afirmou, ao destacar que esse é o objetivo central da estratégia americana.
Segundo o vice-presidente, os Estados Unidos demonstraram flexibilidade em diferentes pontos das negociações, conduzidas de boa-fé sob orientação do presidente Donald Trump. Ainda assim, ele indicou que o impasse mantém as posições distantes.
Do lado iraniano, autoridades também confirmaram que as conversas não resultaram em acordo, apesar de avanços pontuais em alguns temas. De acordo com fontes ouvidas pela agência estatal “Mehr”, divergências em “duas ou três questões importantes” impediram o consenso final.
Teerã classificou parte das exigências americanas como “demandas excessivas” e “pedidos ilegais”. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Baghaei, afirmou que o sucesso das negociações depende do reconhecimento dos “direitos e interesses legítimos” do país.
O presidente americano Donald Trump afirmou neste sábado que “tanto faz” para ele o resultado das conversas entre os Estados Unidos e o Irã no Paquistão, ao insistir que seu país havia vencido a guerra.
“Cheguemos ou não a um acordo, tanto faz para mim. O motivo é que nós vencemos”, disse Trump a jornalistas.
Impasse envolve programa nuclear e controle do Estreito de Ormuz
Além da questão nuclear, outro ponto de tensão envolve o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do comércio global de petróleo. O Irã afirmou que não haverá mudanças na situação do local enquanto os Estados Unidos não aceitarem um “acordo razoável”.
Segundo uma fonte iraniana, não há definição sobre uma nova rodada de negociações. O país indicou que não tem pressa e que cabe aos americanos revisar sua postura nas tratativas.
O histórico recente do conflito ajuda a explicar o impasse. Após a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear de 2015, em 2018, o Irã elevou o nível de enriquecimento de urânio para até 60%, próximo ao patamar necessário para uso militar, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica.
Desde então, Washington defende “enriquecimento zero”, enquanto Teerã sustenta o direito a um programa nuclear com fins pacíficos e exige o fim das sanções econômicas.
As negociações atuais ocorrem após a retomada de conversas indiretas no início de 2026 e da ofensiva militar iniciada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. O cessar-fogo firmado recentemente inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, que segue sob restrições.
Apesar do fim sem acordo, o Paquistão afirmou que continuará atuando como mediador e que novas tentativas de diálogo não estão descartadas.
*Com informações da AFP
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: