Quais são as empresas mais desiguais de Hollywood?
O glamour de Hollywood, os ricos e famosos que há mais de um século povoam telas pelo mundo, tem por trás um grande número de trabalhadores que têm remuneração centenas de vezes menor que a dos chefes das grandes empresas. Em 2025, essa distância ficou ainda maior.
Segundo levantamento do Hollywood Reporter, feito com base em registros regulatórios, a diferença média entre a remuneração de CEOs e a de funcionários comuns chegou a 341 para 1 nos Estados Unidos em 2025, alta de quase 14% em relação a 2024.
Em Hollywood, a maioria das grandes empresas ultrapassa esse patamar com folga.
Paramount lidera o ranking de desigualdade
No topo da lista de desigualdade está a Paramount, onde a relação chega a 1.109 para 1, ou seja, o salário do CEO David Ellison equivale a mais de mil salários medianos da empresa. Sem os ajustes aplicados pela própria companhia para concessões únicas de opções de ações, a proporção seria ainda mais extrema: 1.378 para 1.
Logo atrás está a Cinemark, rede de cinemas cujo CEO Sean Gamble recebe 923 vezes mais que o funcionário mediano. A TKO, empresa de entretenimento esportivo que abriga o UFC e a WWE, aparece em terceiro, com uma razão de 813 para 1 para o CEO Ari Emanuel.
A Disney vem na sequência: o salário de Bob Iger, de US$ 45,8 milhões, equivale a 805 salários medianos da empresa.
Comparação com o resto das empresas norte-americanas
A distância entre Hollywood e o restante do mercado de trabalho norte-americano é significativa.
A média nacional de disparidade salarial, de 341 para 1, já é considerada alta. Ela é superada por quase todas as grandes empresas de mídia rastreadas pelo Hollywood Reporter.
A Netflix, que conta com um perfil de funcionários mais técnicos e bem remunerados, apresenta as razões mais equilibradas entre os grandes nomes da indústria: 255 para 1 para Ted Sarandos e 252 para 1 para Greg Peters.
A Comcast fica próxima à mediana nacional, com uma razão de 381 para 1 para o CEO Brian Roberts.
"Grande parte desse pagamento elevado vem de concessões de ações", explicou Amit Batish, executivo da consultoria Equilar, ao Hollywood Reporter. O problema, segundo especialistas, é que as comparações entre empresas têm limites claros.
"As razões de remuneração de CEOs são muito variadas. Não há uma boa forma de comparar. Empresas com muitos trabalhadores da linha de frente terão um gap maior entre o CEO e o funcionário mediano, enquanto empresas de tecnologia ou biotecnologia, com mais funcionários de nível técnico, tendem a apresentar razões menores", disse Chris Crawford, da consultoria Gallagher, ao Hollywood Reporter.
Lawrence Cunningham, diretor do Weinberg Center for Corporate Governance, vai além: "A remuneração alta de CEOs não é automaticamente má governança, mas uma remuneração inusitadamente alta justifica um olhar mais atento ao executivo, ao conselho de administração e ao voto dos acionistas."
As empresas mais desiguais de Hollywood
*Sem ajustes para concessões únicas de opções de ações. Fonte: Hollywood Reporter, com base em registros regulatórios das empresas e dados da Equilar.
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