Qual é a forma mais rápida de embarcar no avião? A ciência tem a resposta
Filas longas, grupos de embarque confusos e passageiros disputando espaço para guardar a bagagem de mão fazem parte da rotina de quem viaja de avião. Mas pesquisas sobre embarque de passageiros indicam que os métodos utilizados por muitas companhias aéreas estão longe de ser os mais eficientes.
De acordo com a Popular Science, uma simulação desenvolvida por Adam Jacobs, estudante de mestrado da Universidade da Flórida, voltou a colocar o tema em debate ao comparar diferentes estratégias de embarque em uma aeronave comercial.
Os resultados mostram que existem formas significativamente mais rápidas de embarcar passageiros.
Simulação comparou três métodos de embarque
Jacobs criou um modelo computacional baseado em um Airbus A320neo com 186 assentos e simulou o embarque de passageiros utilizando três sistemas amplamente estudados na literatura sobre transporte aéreo.
O método mais eficiente foi o chamado Método Steffen, com embarque concluído em apenas 11 minutos e 16 segundos. Já o embarque aleatório, semelhante ao modelo utilizado durante anos pela Southwest Airlines, levou 17 minutos e 59 segundos.
O pior resultado ficou com o embarque de trás para frente, estratégia que muitos passageiros consideram intuitivamente mais rápida. Nesse cenário, o processo demorou 31 minutos e 15 segundos.
O que é o Método Steffen?
O Método Steffen foi desenvolvido em 2005 pelo astrofísico Jason Steffen, da Universidade de Nevada, após uma série de simulações voltadas para identificar os principais gargalos durante o embarque.
A pesquisa mostrou que boa parte dos atrasos acontece quando passageiros bloqueiam o corredor enquanto acomodam suas malas nos compartimentos superiores. Para reduzir esse problema, o sistema organiza o embarque de forma escalonada, priorizando passageiros sentados nas janelas e distribuindo os viajantes ao longo da cabine para evitar congestionamentos.
Segundo os estudos de Steffen, essa organização permite que várias pessoas guardem suas bagagens simultaneamente sem interromper o fluxo de embarque.
Bagagens de mão se tornaram um dos maiores gargalos
Especialistas apontam que o aumento da complexidade do embarque está diretamente ligado às mudanças nas políticas de bagagem adotadas pelas companhias aéreas nas últimas décadas.
Com a cobrança de taxas para malas despachadas, mais passageiros passaram a viajar apenas com bagagem de mão, aumentando a disputa por espaço nos compartimentos superiores.
Em entrevista à CNN, o professor Massoud Bazargan, da Embry-Riddle Aeronautical University, afirmou que essa mudança praticamente eliminou as chances de tornar o embarque mais eficiente. Como consequência, cresceu a demanda por embarque prioritário, criando um sistema de grupos, zonas e categorias especiais que gera receita para as companhias aéreas.
Embarque aleatório pode ser mais eficiente do que parece
Uma das conclusões da simulação de Jacobs é que o embarque aleatório teve desempenho melhor do que sistemas considerados mais organizados. O método concluiu o embarque em menos de 18 minutos e superou com folga o modelo de trás para frente.
Segundo Jacobs, os passageiros poderiam reduzir o tempo gasto no embarque se os agentes simplesmente permitissem que todos entrassem na aeronave ao mesmo tempo.
Embora pesquisas já tenham identificado métodos capazes de acelerar significativamente o embarque, a adoção dessas estratégias esbarra em fatores comerciais e operacionais. As companhias aéreas obtêm receita com embarque prioritário e categorias especiais de acesso à aeronave, além de utilizarem esses sistemas para organizar o fluxo de passageiros nos portões.
Por isso, mesmo que modelos como o Método Steffen apresentem melhores resultados em estudos e simulações, a velocidade não é o único critério considerado pelas companhias aéreas ao definir seus processos de embarque.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: