Quando a Guerra no Irã vai acabar? Veja 2 cenários possíveis
Neste sábado, 7, a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã completará uma semana, sem um final claro à vista.
Já no primeiro dia, ataques aéreos mataram o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, bem como dezenas de autoridades iranianas. Mesmo assim, o regime que governa o país permanece no poder.
Assim, EUA e Israel têm uma escolha: encerrar a operação no estágio atual, em que fábricas de armamentos e outras estruturas militares foram destruídas, ou continuar lutando por mais tempo, até que o regime iraniano colapse. A segunda opção, no entanto, pode levar o país a um conflito que dure anos.
Os dois países também têm evitado definir um prazo claro para o fim das operações, bem como as condições para encerrar os ataques.
Nesta sexta-feira, 6, Trump disse que "não haverá acordo com o Irã, exceto uma rendição incondicional". No entanto, o presidente já mudou de posição diversas vezes, em vários temas, o que torna o cenário ainda mais incerto.
Para Nate Swanson, líder do Projeto Estratégia Irã no think tank Atlantic Council, o Irã parece ter como plano um jogo de paciência, em que espera desgastar as forças ocidentais aos poucos.
"Acho que os iranianos estão apostando que podem durar mais do que Trump. E há uma chance decente de que estejam certos", disse, em uma análise publicada na noite de quinta-feira, 5.
"Estamos vendo uma mentalidade de bunker, na qual o Irã decidiu que irá agir assim enquanto quiser e tiver capacidade", afirmou.
Veja, a seguir, mais detalhes sobre os dois cenários possíveis.
1. Guerra de duração curta
Os ataques israelenses e americanos têm como um dos objetivos destruir a capacidade do Irã de realizar ataques militares. A estratégia inclui atacar fábricas de armas, depósitos e centrais de lançamento de mísseis.
Assim, os americanos poderão dizer que alcançaram seu objetivo e que o Irã não representa mais uma ameaça imediata. O enfraquecimento militar também pode levar o Irã a aceitar um acordo ou a fazer concessões.
Neste cenário, a guerra poderia ser encerrada a qualquer momento, em alguns dias ou semanas, embora haja risco de novos ataques e confrontos nos próximos meses.
"A guerra é uma opção de curto ou de longo prazo, mas não de médio prazo. Você pode ir embora em três dias e ser uma vitória. Algo como 'nós explodimos os mísseis, a estrutura nuclear, ajudamos Israel a atingir proxies no Líbano e as redes iranianas ligadas à Guarda Revolucionária'. E dizer 'voltem quando estiverem prontos para um acordo'", disse Joe Costa, ex-secretário-assistente no Departamento de Defesa dos EUA , onde atuou em planos de guerra, e membro do Atlantic Council.
2. EUA e Israel mantêm ataques até o regime cair
Nesta projeção, os dois países manteriam os ataques até que o regime dos aiatolás, que comandam o Irã desde 1979, decida deixar o poder ou seja derrubado por opositores.
Este cenário é considerado difícil por dois fatores. O regime iraniano tem uma tropa leal, a Guarda Revolucionária, que também atua em vários setores da economia, como a exploração de petróleo, e luta há decádas contra a pressão dos Estados Unidos.
Embora o governo esteja fragilizado por uma crise econômica e uma série de protestos, é difícil precisar quanto tempo ele demoraria a cair.
Em outros exemplos, como na Síria e na Líbia, houve anos de guerra no solo e de ataques aéreos até que os ditadores fossem derrubados, o que exigiria a disposição dos EUA e de Israel para manter uma guerra prolongada.
A queda de regimes também costuma exigir tropas em campo. Os americanos têm descartado enviar soldados, ao menos por enquanto. Trump fez uma oferta de acordo com os curdos e outros grupos contrários aos aiatolás, para que eles lutassem contra o regime, e não está claro como eles reagirão.
Uma guerra civil no Irã também levaria tempo, e o apoio dos EUA aos grupos de oposição pode ser necessário por anos.
O cenário de uma guerra longa na região gera preocupação de países do Golfo Pérsico, como Emirados Árabes e Catar, que buscam atrair negócios e turistas com a garantia de estabilidade, um cenário que agora está em risco. Para analistas, esses países poderão pressionar os EUA para que não entrem em uma guerra longa.
"Todos os países do Golfo já têm muito a perder neste conflito. As imagens de passageiros retidos, do Catar cortando a produção de gás. São imagens terríveis para uma região que buscou construir sua reputação na estabilidade", disse Jennifer Gavito, que foi secretária-assistente para o Oriente Médio no Departamento de Estado, na gestão de Joe Biden. "Eles vão buscar uma volta à normalidade assim que possível."
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