Queda no engajamento dos trabalhadores gerou US$ 438 bi em perdas de produtividade global

Por Layane Serrano 14 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Queda no engajamento dos trabalhadores gerou US$ 438 bi em perdas de produtividade global

A falta de engajamento dos trabalhadores está custando caro à economia global. Em 2024, a queda na motivação e no envolvimento dos profissionais com o trabalho gerou US$ 438 bilhões em perda de produtividade no mundo, segundo um relatório da Sodexo sobre experiência no ambiente corporativo.

O dado faz parte do estudo Healthy Places + Happy People = The Dynamic Workplace Experience, que reúne pesquisas acadêmicas e análises de especialistas para entender como o bem-estar no trabalho impacta diretamente o desempenho das empresas.

“Esse impacto significativo acontece porque o engajamento está diretamente relacionado à experiência das pessoas no ambiente de trabalho e à produtividade. Não se trata apenas de estar presente, mas de se sentir bem, acolhido, respeitado e conectado a um propósito”, afirma Ana Menegotto, vice-presidente de Pessoas, ESG e Comunicação da Sodexo Brasil.

Para a executiva, o estudo traz muitas informações sobre o que conhecemos como “workplace experience”, que se resumo no valor de um ambiente de trabalho que favoreça a concentração, a conexão e que traga experiências que melhorem sua alimentação, saúde e qualidade de vida.

“Esse cuidado diário faz diferença no combate ao presenteísmo e favorece uma presença verdadeira, com mais atenção, energia e pertencimento. Por isso, quando o engajamento cai, o impacto não é apenas comportamental; ele afeta diretamente a capacidade das empresas de gerar valor de forma sustentável”, diz Menegotto.

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Apenas 21% dos funcionários estão engajados

O levantamento global da Sodexo mostra que, nos últimos anos, organizações têm enfrentado um cenário desafiador: equipes mais cansadas, aumento do burnout e menor conexão entre funcionários e empresas.

Atualmente, apenas 21% dos trabalhadores estão engajados no trabalho, enquanto 48% enfrentam algum nível de esgotamento profissional.

“Esse dado de burnout é um importante alerta e um desafio real dentro das empresas. Não vejo como um erro, mas como um reflexo de uma combinação de sobrecarga, ambientes que drenam energia, rotinas pouco saudáveis, falta de apoio da liderança e uma experiência de trabalho que, em vez de sustentar as pessoas, aumenta a pressão sobre elas”, diz Menegotto.

Esse cenário tem levado líderes a repensar a experiência no ambiente corporativo, desde a forma como os escritórios são estruturados até as práticas de gestão e cultura organizacional.

Para a executiva, a queda de engajamento está muito ligada a uma desconexão entre o que as pessoas esperam da experiência de trabalho e o que muitas empresas ainda oferecem. Os profissionais buscam mais flexibilidade, bem-estar, propósito, pertencimento e relações mais humanas.

“O local de trabalho precisa ser desejado. É necessário oferecer razões reais para que as pessoas queiram estar ali, com conforto, acolhimento, boa alimentação, conveniência, tecnologia, contato humano de qualidade e uma experiência que faça sentido na vida delas”, diz Menegotto.

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O cenário piorou nos últimos anos?

O cenário do mercado brasileiro não só piorou, fato é que agora a liderança está com um olhar mais atento, afirma Menegotto. As empresas mudaram e suas equipes também.

“Houve uma intensificação real do trabalho nos últimos anos: mais pressão por produtividade, mais mudanças e equipes mais cansadas e desconectadas. Reflexo de uma mudança nos nossos estilos de vida, em questões políticas, econômicas e ambientais”, diz Menegotto.

O lado positivo é que isso acelerou uma virada importante: saúde e engajamento deixaram de ser ‘assunto de RH’ e passaram a ser pauta de liderança e performance, diz a executiva da Sodexo.

“As pessoas querem encontrar sentido, respeito, escuta e condições reais para performar bem sem comprometer a própria saúde e o bem-estar. O trabalho continua sendo importante, mas ele passou a ser visto de forma mais ampla, como parte da vida, e não como algo separado dela”, afirma.

Para a executiva, quando a rotina é marcada por pressão excessiva, pouca escuta e uma experiência fora das expectativas, a tendência é a desconexão.

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Felicidade e produtividade caminham juntas

Uma das conclusões do relatório é que o bem-estar dos funcionários não é apenas uma questão de qualidade de vida, mas também um fator estratégico para os negócios.

Pesquisas citadas no estudo indicam que trabalhadores felizes podem ser até 13% mais produtivos, além de apresentar menores taxas de absenteísmo e rotatividade.

“Na prática, o que torna um funcionário mais feliz no trabalho é perceber que a empresa se importa com ele de forma real e consistente, e não apenas com a sua performance. Performance é consequência”, diz Menegotto.

Felicidade, segundo a executiva, nasce da combinação entre um ambiente saudável, relações de confiança, liderança preparada, escuta genuína e condições para que a pessoa consiga trabalhar bem.

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O papel do ambiente de trabalho

O relatório destaca que o ambiente físico do trabalho desempenha um papel importante nesse cenário. Elementos como qualidade do ar, iluminação, alimentação, conforto térmico e controle de ruído podem influenciar diretamente a saúde, a concentração e a energia dos profissionais.

Estudos citados no documento indicam, por exemplo, que melhorias na ventilação dos escritórios podem gerar até US$ 7.500 em produtividade adicional por funcionário por ano.

“No cenário híbrido, o escritório continua tendo um papel importante na produtividade, mas com uma função diferente da que tinha no passado. A presença só faz sentido quando gera valor real para as pessoas e para o negócio”, afirma a executiva. “Isso significa oferecer um ambiente que favoreça conexão, colaboração, criatividade, senso de pertencimento e bem-estar.

Em outro caso analisado, a adoção de sistemas de monitoramento da qualidade do ar em um escritório em Londres contribuiu para reduzir em 58% as licenças médicas entre os funcionários.

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Cultura organizacional também pesa

Além da estrutura física, o estudo aponta que fatores psicológicos e culturais têm peso crescente no desempenho das equipes.

Ambientes onde os funcionários se sentem seguros, apoiados e conectados a um propósito tendem a apresentar melhores resultados. Liderança clara, comunicação transparente e oportunidades de desenvolvimento também aparecem entre os fatores mais importantes para o engajamento.

Para Menegotto, isso significa que empresas precisam adotar uma visão mais ampla sobre o que define a experiência no trabalho.

“Antes de qualquer grande iniciativa, o líder precisa colocar as pessoas no centro da estratégia. Quando o funcionário se sente ouvido e há coerência entre discurso e prática, o engajamento cresce. Ao mesmo tempo, mudanças práticas, como espaços mais acolhedores, alimentação saudável e rotinas mais flexíveis, já podem melhorar a experiência de trabalho”, diz a executiva.

Em vez de focar apenas em produtividade ou metas, organizações que desejam melhorar seus resultados devem investir em um modelo que combine ambientes saudáveis, cultura positiva e suporte ao bem-estar dos funcionários.

O estudo foi feito com base em dados de consultorias globais com dados dos últimos sete anos.

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