Quem é Alexandre Ramagem, ex-deputado preso nos EUA? Veja os crimes pelos quais foi condenado
O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) prende o ex-deputado federal Alexandre Ramagem nesta segunda-feira, 13. A informação foi confirmada pela Polícia Federal à GloboNews e ao portal G1.
Ramagem foi condenado, em setembro, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a uma pena de 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Segundo a PF, Ramagem deixou o Brasil de forma clandestina antes do término do julgamento, atravessando a fronteira de Roraima com a Guiana para evitar a prisão, seguindo depois para os Estados Unidos.
Passagem pela PF e Abin
Alexandre Ramagem Rodrigues, ex-diretor da Abin, construiu sua trajetória recente ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A aproximação entre os dois ganhou força durante a campanha de 2018, quando Ramagem assumiu a segurança pessoal de Bolsonaro após o atentado em Juiz de Fora (MG).
Ramagem foi indicado, no início de 2019, para a superintendência da Polícia Federal (PF) no Ceará. A permanência foi curta. Ele foi impedido de tomar posse como diretor-geral da PF, por decisão do ministro Alexandre de Moraes. Em seguida, ele passou a se dedicar à esfera política, com passagem como assessor no Palácio do Planalto. Em junho daquele ano, foi nomeado para o comando da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Na cerimônia de posse, Bolsonaro mencionou a relação direta com Ramagem, afirmando que “grande parte do destino da nação” estaria sob responsabilidade do então diretor. Em 2022, ele disputou as eleições e conquistou mandato como deputado federal, com 59.170 votos.
Em outubro de 2023, Ramagem foi alvo de uma operação da Polícia Federal que incluiu ações em seu gabinete e no apartamento funcional. A investigação tratou do uso indevido da estrutura da Abin para monitoramento de autoridades, incluindo ministros do STF, políticos, jornalistas e advogados, por meio da ferramenta FirstMile, sistema de geolocalização. Dados da apuração indicaram cerca de 33 mil consultas consideradas irregulares, entre elas o rastreamento do ministro Alexandre de Moraes.
A operação “Vigilância Aproximada”, derivada da “Primeira Milha”, cumpriu 21 mandados de busca e apreensão e resultou na prisão de dois servidores da agência.
Condenação no STF
Em novembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal condenou Ramagem por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. A decisão fixou pena de 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão em regime fechado, com perda do mandato parlamentar.
Parte das acusações relacionadas aos atos de 8 de janeiro teve análise suspensa pelo STF. A justificativa considerou que esses episódios ocorreram após a diplomação como deputado federal, o que altera o enquadramento jurídico.
Na época, defesa apresentou recursos ao Supremo, com pedido de redução da pena.
Veja a pena de Ramagem para cada crime
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