Quem é o novo premiê da Hungria que derrotou aliado de Bolsonaro e Trump
Peter Magyar consolidou sua ascensão política ao vencer a eleição e derrotar o primeiro-ministro Viktor Orbán, aliado de Donald Trump e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O resultado marca uma mudança relevante no cenário político da Hungria após mais de uma década de domínio do líder nacionalista.
Há alguns anos, Magyar ainda integrava o círculo político governista e chegou a apoiar discursos de Orbán. Dentro do partido Fidesz, chegou a ser visto como uma voz crítica.
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“Me chamavam de ‘eterno opositor’ dentro do Fidesz”, disse à agência AFP — Agence France-Presse, agência internacional de notícias.
Hoje, ele está no principal partido de oposição, o Tisza.
Magyar, considerado de centro-direita, conta com o apoio de uma coalizão política de partidos abrangendo todo o espectro político, que se uniram em oposição a Orbán, e também com forte apoio popular.
As pesquisas já apontavam que Magyar, com essas forças combinadas, conquistaria até dois terços dos assentos no parlamento.
Aos 45 anos, Magyar construiu sua vitória com forte presença nas redes sociais e discurso centrado no combate à corrupção e na melhoria dos serviços públicos.
Durante a campanha, prometeu desmontar “tijolo por tijolo” o sistema político estruturado ao longo dos anos por Orbán.
Descrito por aliados como um perfil exigente e direto, Magyar percorreu o país de forma intensa nos últimos dois anos. A estratégia ajudou a impulsionar seu partido à liderança nas pesquisas e consolidou sua imagem como alternativa viável ao governo.
Segundo a agência AFP, sua passagem anterior por cargos públicos e ligação com o establishment político fortaleceram sua credibilidade junto a eleitores conservadores.
Para Andrzej Sadecki, do Centro de Estudos Orientais de Varsóvia, isso tornou seu discurso mais convincente ao criticar o sistema por dentro.
“De certa forma, Magyar é como Orbán há 20 anos, sem toda a bagagem, a corrupção e os erros no poder”, afirmou o analista à AFP.
Nascido em uma família conservadora influente, Magyar iniciou sua trajetória política ainda jovem. Na universidade, aproximou-se de figuras centrais do governo, como Gergely Gulyás, atual chefe de gabinete, e Judit Varga, ex-ministra da Justiça e sua ex-esposa.
Ao longo da carreira, atuou como diplomata junto à União Europeia e ocupou cargos em instituições públicas, incluindo o órgão estatal de financiamento estudantil. Ele e Varga, com quem teve três filhos, se divorciaram em 2023.
Uma mulher vota em uma seção eleitoral em Solymar, a 20 km de Budapeste, durante as eleições gerais na Hungria, em 12 de abril de 2026. (Ferenc ISZA/AFP)
Ascensão após escândalo político
A projeção nacional de Magyar ganhou força em 2024, após um escândalo envolvendo o perdão de um caso de abuso infantil que abalou o governo Orban. O episódio levou à renúncia da então presidente Katalin Novák e de Judit Varga.
Magyar rompeu com o governo, denunciou irregularidades e deixou seus cargos públicos. Apesar de inicialmente negar ambições políticas, passou a ser visto como uma figura capaz de liderar mudanças estruturais.
Ele assumiu o controle do então pouco conhecido partido TISZA e já havia obtido destaque nas eleições europeias de 2024. Com o crescimento de sua popularidade, também passou a enfrentar ataques políticos, que classificou como uma campanha de desinformação.
Ainda assim, analistas avaliam que essas críticas ajudaram a reforçar sua imagem como agente de mudança.
No plano de governo, Magyar promete destravar recursos da União Europeia, fortalecer serviços públicos como saúde e reposicionar a Hungria internacionalmente.
Peter Magyar, líder do partido conservador pró-europeu TISZA, sai da cabine de votação enquanto se prepara para votar em uma seção eleitoral montada em um jardim de infância em Budapeste, durante as eleições gerais na Hungria, em 12 de abril de 2026. (Ferenc ISZA/AFP)
Defende uma relação mais pragmática com a Otan e a UE, além de adotar postura mais crítica em relação à Rússia — diferentemente de Orbán.
O novo premier promete ser um lúder mais favorável à Ucrânia, cuja defesa é considerada um interesse de segurança internacional para todo o bloco europeu.
Apesar disso, mantém algumas posições conservadoras, como a recusa ao envio de armas à Ucrânia e resistência a uma integração acelerada à União Europeia.
Em temas como imigração, propõe medidas mais rígidas, incluindo o fim de programas de trabalhadores estrangeiros.
Já em relação aos direitos LGBTQIA+, sua posição permanece pouco detalhada, embora defenda igualdade perante a lei.
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