Quem é Raúl Castro, alvo dos EUA em Cuba

Por Matheus Gonçalves 22 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Quem é Raúl Castro, alvo dos EUA em Cuba

O ex-presidente Raúl Castro, famoso protagonista da revolução cubana, depois de seu irmão Fidel, e a figura viva mais proeminente do sistema, foi indiciado nos EUA nesta quarta-feira, 20, pelo controverso abate de dois pequenos aviões que matou quatro pessoas há 30 anos, poucos dias antes de seu 95º aniversário, em 3 de junho.

A decisão ataca uma figura de grande valor simbólico para a elite governante cubana, uma pessoa com um legado complexo que permeia os aspectos políticos, econômicos e sociais de um país em crise tão grave quanto estrutural.

Apesar de ter se aposentado formalmente de seus cargos políticos entre 2018 e 2021, Castro – um ditador inescrupuloso para alguns, mas um líder à frente da revolução para outros – continuou a manter "um pé no estribo", como ele mesmo disse, em decisões importantes do país e nas negociações atuais com os Estados Unidos.

Ele deixou sua marca como presidente (2006-2018), por vezes contrariando os desejos explícitos de Fidel. Por exemplo, implementou uma série de reformas econômicas e restabeleceu as relações com Washington durante o chamado "descongelamento". Ele também fez isso como primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba (PCC, o único partido legal) entre 2011 e 2021, selecionando e dando lugar a uma nova geração de líderes sem passado guerrilheiro e sem o sobrenome Castro, a começar pelo atual presidente, Miguel Díaz-Canel.

Raúl também deixou sua marca como Ministro das Forças Armadas Revolucionárias por quase cinco décadas (1959-2008), durante as quais estruturou o exército segundo critérios de eficiência, mas também de pureza ideológica e de laços pessoais. Analistas apontam o Exército como uma instituição fundamental na ilha, tanto em termos de capacidade operacional quanto de poder político e econômico.

Por meio da Gaesa, um conglomerado empresarial, o exército passou a controlar grande parte da economia nacional a partir da década de 1990, perto de 40% do produto interno bruto (PIB), segundo algumas estimativas: de hotéis e comércio exterior a telecomunicações, portos, remessas e venda de combustíveis, além de possuir empresas de transporte, distribuição varejista, setor imobiliário e serviços bancários.

Hoje, Raúl Castro é a figura principal da "geração histórica", o círculo fechado que assumiu o poder em 1959 e implementou um sistema socialista de estilo soviético em Cuba.

Reformas e degelo

Durante seu mandato presidencial, Castro promoveu reformas econômicas – ainda que tímidas, lentas e com altos e baixos – para sair da depressão do chamado "período especial", a grave crise desencadeada em Cuba com o colapso do bloco socialista europeu.

Ele também reorganizou a administração pública segundo critérios de eficiência, rentabilidade e sustentabilidade, reestruturando ministérios e empresas estatais ineficientes, o que resultou em demissões em massa. Além disso, reduziu a ajuda e os serviços públicos e decidiu retomar o pagamento da dívida externa, que seu irmão havia ignorado por décadas.

Essas reformas deram origem a um setor privado emergente – principalmente sob a forma de restaurantes e casas para aluguel nas maiores cidades – que ajudou a impulsionar a economia, embora também tenha gerado desigualdades econômicas e setores vulneráveis em uma sociedade antes marcadamente homogênea.

Castro, o quarto de sete filhos, nasceu em 3 de junho de 1931, em Birán (leste de Cuba), filho de um proprietário de terras espanhol e de uma cubana. Estreitamente ligado desde o início ao seu irmão Fidel, seguiu seus passos juntando-se à oposição a Fulgencio Batista (1952-1959) e, posteriormente, à revolta guerrilheira que o depôs (1956-1959).

Considerado uma pessoa reservada e dedicada à família, ele era casado com a também líder revolucionária Vilma Espín, com quem teve quatro filhos.

Com informações da AFP

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