Quem é Simon, o único gato da história a receber uma medalha de guerra?

Por Vanessa Loiola 21 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Quem é Simon, o único gato da história a receber uma medalha de guerra?

Com uma pelagem que lembra um smoking, o pequeno gato preto e branco que ficou conhecido como Simon, do HMS Amethyst, entrou para a história como o único felino a receber a Medalha Dickin, a mais alta condecoração concedida a animais por bravura em serviço militar no Reino Unido. Sua trajetória mistura heroísmo, guerra e uma morte precoce que comoveu o mundo.

Resgatado ainda jovem por um marinheiro britânico nos cais de Hong Kong, Simon se tornaria símbolo de coragem durante o chamado Incidente do Rio Yangtzé, em 1949. A história do felino foi detalhada pela revista de divulgação científica Popular Science.

Resgate em Hong Kong

Em março de 1948, o marinheiro britânico George Hickinbottom, então com 17 anos, encontrou um gato preto e branco faminto na Ilha Stonecutters, em Hong Kong. Ele decidiu levá-lo escondido a bordo do navio HMS Amethyst.

A presença de gatos em embarcações era comum, já que ajudavam a controlar ratos que ameaçavam os estoques de comida. Batizado de Simon pela tripulação, o felino rapidamente passou a cumprir essa função.

Sob fogo no Yangtzé

Em abril de 1949, o HMS Amethyst foi enviado ao rio Yangtzé, na China, em meio às tensões finais da guerra civil chinesa. No dia 20 de abril, o navio foi atingido por fogo de artilharia vindo da margem norte do rio. O ataque deixou dezenas de mortos e feridos, além de deixar a embarcação encalhada.

Simon também foi gravemente ferido por estilhaços e queimaduras. Mesmo assim, após se recuperar parcialmente, voltou a caçar ratos no navio, ajudando a preservar os suprimentos enquanto a tripulação permanecia presa sob ameaça constante de bombardeio.

Durante três meses, o Amethyst ficou parado, enquanto negociações diplomáticas fracassavam e a situação se tornava cada vez mais crítica.

A fuga noturna

Na noite de 30 de julho de 1949, com combustível e mantimentos escassos, o HMS Amethyst conseguiu escapar. Apagando as luzes e seguindo um navio mercante chinês pelo rio, a fragata percorreu 167 quilômetros até alcançar o Mar da China Meridional.

A fuga transformou os membros da tripulação em heróis — e Simon virou celebridade internacional. Fotografias do gato de smoking circularam pelo mundo.

Medalha Dickin

Pelo comportamento durante o cerco no Yangtzé, Simon recebeu a Medalha Dickin, criada pela organização britânica People’s Dispensary for Sick Animals (PDSA). A condecoração é frequentemente comparada à Cruz Vitória concedida a militares humanos.

Até hoje, Simon permanece o único gato a ter recebido essa honraria, geralmente destinada a cães, pombos-correio e cavalos.

Triunfo e tragédia

Quando o navio retornou à Grã-Bretanha, em novembro de 1949, a recepção foi marcada por celebração e comoção. Simon passou a receber tantas cartas que um marinheiro foi designado para cuidar de sua correspondência.

No entanto, como animal estrangeiro, ele precisou cumprir quarentena. Poucas semanas depois, em 28 de novembro de 1949, Simon morreu repentinamente, provavelmente aos dois anos de idade. Relatos da época atribuíram a morte a complicações de saúde relacionadas aos ferimentos e ao clima frio.

Ele recebeu a Medalha Dickin postumamente e foi sepultado no Cemitério de Animais de Ilford, no leste de Londres, com honras militares.

Por que a história ainda emociona

Segundo o autor David Long, a trajetória de Simon continua tocando gerações porque as pessoas não esperam coragem heroica de um gato comum. Ele não era uma raça rara nem tinha treinamento especial — era apenas um gato doméstico que se tornou símbolo de resistência em meio à guerra.

A lápide de Simon permanece no cemitério, com a inscrição destacando que, durante o incidente no Rio Yangtzé, seu comportamento foi da mais alta ordem.

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