Quem são os cientistas brasileiros entre os 100 mais influentes do mundo

Por Maria Eduarda Lameza 16 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Quem são os cientistas brasileiros entre os 100 mais influentes do mundo

Dois cientistas brasileiros estão entre as 100 pessoas mais influentes do mundo, segundo lista publicada pela revista Time nesta quarta-feira, 15.

Luciano Moreira e Maria Angela Hungria foram destacados nas categorias "Inovadores" e "Pioneiros", respectivamente.

Além dos pesquisadores, o ator brasileiro Wagner Moura também está na lista após sua indicação ao Oscar por "O Agente Secreto".

Confira, a seguir, a pesquisa desses cientistas:

Quem é Maria Angela Hungria?

Aos 67 anos, com 40 dedicados à pesquisa científica, Hungria é natural de Itapetininga, no interior de São Paulo. É formada em engenharia agronômica pela USP/Esalq, braço de agricultura de uma das principais universidades do país. É pesquisadora da Embrapa desde 1982, inicialmente na Embrapa Agrobiologia, no Rio de Janeiro, e, desde 1991, na Embrapa Soja, em Londrina (PR).

Em 2025, Hungria tornou-se a primeira brasileira a receber o Prêmio Mundial da Alimentação, considerado o “Nobel da Agricultura”.

Em entrevista à EXAME no ano passado, quando foi indicada ao World Food Prize, ela afirmou que foi durante a graduação que se interessou pela pesquisa sobre processos biológicos para avanços na agricultura.

“Foi uma coisa muito difícil. Seria muito mais fácil ir para outra área. Mas eu realmente tinha uma convicção muito grande de que era aquilo que eu queria e que eu ia achar um jeito de dar certo”, disse à época.

A ênfase dos estudos de Hungria tem sido o aumento da produção e da qualidade dos alimentos por meio da substituição total ou parcial de fertilizantes químicos por microrganismos com propriedades como a fixação biológica de nitrogênio (FBN), técnica que permite que bactérias do solo forneçam esse nutriente essencial às plantas.

Além disso, Hungria foi a primeira a isolar cepas da bactéria Azospirillum brasilense capazes de melhorar a absorção de nitrogênio e fitormônios. Hoje, mais de 70 milhões de doses de inoculantes combinados são vendidas e aplicadas em cerca de 15 milhões de hectares no Brasil a cada ano.

Segundo a Embrapa, a equipe de pesquisa de Hungria lançou, em 2021, uma tecnologia que permite a redução de 25% na fertilização nitrogenada de cobertura no milho por meio da inoculação com Azospirillum brasilense, gerando benefícios econômicos significativos para os agricultores e impactos ambientais positivos para o país.

Atualmente, Hungria é professora na Universidade Estadual do Paraná e na Universidade Tecnológica Federal do Paraná. A cientista já publicou mais de 500 artigos e foi reconhecida pela Forbes como uma das 100 mulheres mais poderosas do agronegócio brasileiro.

Quem é Luciano Moreira?

Luciano Moreira é formado em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de Viçosa e possui mestrado e doutorado com foco em genética, melhoramento de plantas e estudos entomológicos - insetos e sua relação com o homem.

Em 2025, ele já havia sido incluído na lista "Nature’s 10", que destacou os cientistas mais influentes do mundo em 2025. A revista científica reconheceu sua liderança em um projeto inovador de controle de arboviroses no Brasil.

Desde os anos 1990, Moreira desenvolve métodos alternativos para o combate ao Aedes aegypti, vetor da dengue, zika e chikungunya. Um dos principais resultados desse trabalho é a criação de mosquitos infectados pela bactéria Wolbachia, capazes de reduzir drasticamente a transmissão dos vírus.

O método com mosquitos Wolbachia, antes restrito a testes laboratoriais, passou a ser adotado por diversas cidades brasileiras e foi incorporado à estratégia nacional de saúde pública.

Moreira liderou a pesquisa da Fiocruz e é hoje CEO da Wolbito do Brasil, empresa que opera uma fábrica em Curitiba com capacidade para produzir até 5 bilhões de mosquitos por ano. A unidade foi inaugurada em julho de 2025 e já abastece estados como Santa Catarina.

A Wolbachia não infecta humanos nem se espalha no meio ambiente. A bactéria está presente naturalmente em cerca de 60% dos insetos do planeta. No mosquito, impede a reprodução ou bloqueia a transmissão dos vírus, dependendo do sexo do inseto infectado.

Segundo a Nature, a cidade de Niterói, uma das primeiras a adotar a tecnologia, teve queda de 89% nos casos de dengue. Em 2024, foram registrados apenas 46 casos prováveis, contra mais de 20 mil no município vizinho, o Rio de Janeiro.

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