Quitar dívidas no Desenrola 2.0 não garante nome limpo: entenda

Por Rebecca Crepaldi 7 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Quitar dívidas no Desenrola 2.0 não garante nome limpo: entenda

O Desenrola 2.0 já está sendo procurado pelos consumidores. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, realizou nesta terça-feira, 5, a primeira quitação de dívida no âmbito do Novo Desenrola Brasil. Segundo a instituição, um cliente de Várzea Paulista (SP) liquidou à vista um débito de cheque especial com desconto de 75%

Até o fim da tarde de ontem, cerca de 5 mil clientes já haviam procurado o banco para aderir ao programa.

O objetivo do programa é atender diferentes públicos — pessoas físicas, estudantes, empresas e produtores rurais — em uma tentativa de frear a inadimplência e aliviar o orçamento em um momento de forte pressão financeira.

Entretanto, uma dúvida que tem surgido é: quitar uma dívida bancária garante que meu nome vai ficar limpo?

Sobre a desnegativação dos clientes, Milton Maluhy Filho, presidente-executivo do Itaú Unibanco, fez uma ressalva importante: ela depende de o devedor regularizar sua situação não apenas com o banco, mas com todas as instituições credoras, incluindo empresas de telefonia e concessões que não estão dentro do escopo do Desenrola 2.0.

À reportagem, a Serasa também confirmou. “Se o consumidor tem outras dívidas negativando o nome (sem ser banco) ele também precisa quitá-las [para ficar com o nome limpo]”, disse em nota. O Ministério da Fazenda também confirmou: somente as dívidas com os bancos serão desnegativadas.

Essas outras dívidas, como citado, não fazem parte do Desenrola. Ou seja, não entram débitos como de água, luz ou telefonia. “Não temos conversas com o Governo sobre dívidas não financeira, não tivemos trocas sobre esse tema”, afirmou Aline Maciel, diretora da Serasa, à EXAME.

Apesar disso, a Serasa diz que existe dentro da plataforma 691 milhões de ofertas totais disponíveis no Serasa Limpa Nome, com mais de 2 mil empresas parceiras.

Como vai funcionar o Desenrola?

Segundo o Ministério da Fazenda, a implementação depende da adesão das instituições financeiras, que começarão a disponibilizar o programa nos dias seguintes ao anúncio, ainda que o ritmo de oferta varie de banco para banco.

O principal eixo da iniciativa é o Desenrola Famílias, voltado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e dívidas em atraso entre 90 dias e dois anos. A proposta mira justamente a parcela mais pressionada da população, em um cenário em que o comprometimento da renda das famílias com dívidas chegou a 29,7% em fevereiro, o maior nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 2005.

Na prática, o programa permite a renegociação de débitos como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado, desde que tenham sido contratados até 31 de janeiro de 2026 e estejam dentro da faixa de atraso estabelecida.

As condições incluem descontos relevantes, que variam conforme o tipo de dívida e o tempo de inadimplência: de 30% a 90% no total. No caso de rotativo do cartão e cheque especial, os abatimentos vão de 40% a 90%, enquanto no crédito pessoal ficam entre 30% e 80%.

Além dos descontos, o programa estabelece limites claros para tornar a renegociação mais acessível. A taxa de juros máxima será de 1,99% ao mês, e o prazo de parcelamento pode chegar a até 48 meses para contratos em atraso. A renegociação será feita diretamente pelos canais oficiais dos bancos.

Outro ponto relevante é a limpeza automática do nome de consumidores com dívidas de até R$ 100, que deverão ser perdoadas pelas instituições financeiras. Mas lembrando, o nome fica limpo somente com o banco. Caso ela tenha dívidas com outras instituições, a negativação continua.

Para quem aderir ao programa, também haverá restrições: o CPF ficará bloqueado para apostas em casas de apostas por um período de 12 meses.

Para viabilizar a operação, os bancos contarão com garantias públicas e terão algumas contrapartidas. Entre elas, estão a obrigação de limpar o nome dos clientes tanto nas dívidas de até R$ 100 quanto nas renegociadas, destinar 1% do valor garantido pelo Fundo Garantidor de Operações (FGO) para ações de educação financeira e impedir o uso de crédito para apostas.

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