R$ 2,5 bilhões em tempos difíceis: como a iGUi sustentou a receita em 2025

Por Isabela Rovaroto 3 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
R$ 2,5 bilhões em tempos difíceis: como a iGUi sustentou a receita em 2025

Em 2025 vender piscina ficou mais difícil. Juros de 15%, crédito mais restrito e famílias mais endividadas afetaram um setor que depende diretamente de financiamento. Ainda assim, a empresa de piscinas iGUi fechou o ano com R$ 2,5 bilhões em faturamento, alta de 4%.

O resultado não veio de mais vendas. O volume caiu cerca de 8% no período, segundo o fundador e CEO Filipe Sisson.

“Foi um dos anos mais difíceis que já vimos no setor. Piscina é bem de capital. Quando o crédito aperta, sentimos imediatamente”, diz o CEO.

Em anos anteriores, entre 60% e 70% das vendas eram financiadas. Em 2025 esse percentual girou em torno de 30%.

Troca de volume por valor

Com menos financiamento disponível, a empresa decidiu mudar a estratégia. Em vez de disputar preço, elevou o ticket médio.

A piscina básica deu espaço a pacotes com clorador, aquecedor e acessórios integrados. O movimento elevou o valor final entre 25% e 30%, compensando a queda nas unidades vendidas.

“Trocamos volume por valor. Se vendíamos menos unidades, precisávamos vender melhor”, diz Sisson.

O crescimento de 4% acabou sendo, nas palavras do executivo, “quase um empate técnico”, considerando inflação e cenário macroeconômico.

A preservação da receita não impediu impacto na rentabilidade. A empresa trabalha com meta de margem EBITDA próxima de 20%, mas encerrou o ano entre 12% e 13%.

“O mercado retraiu. Para manter a rede saudável, parte da margem foi sacrificada”, afirma o CEO.

Crédito próprio como ferramenta

Filipe Sisson, CEO do iGui: "Quando o crédito aperta, sentimos imediatamente” (iGui/Divulgação)

Um dos diferenciais da iGUi foi a existência de três financeiras ligadas ao grupo, criadas ao longo dos anos para reduzir dependência de bancos tradicionais.

Mesmo assim, a inadimplência no sistema financeiro cresceu em 2025, acompanhando o aumento do endividamento das famílias. Segundo o executivo, a rede conseguiu manter equilíbrio interno.

“Nosso varejista está capitalizado. Parte da concorrência não conseguiu atravessar o ano.”

De acordo com Sisson, o varejo local de piscinas encolheu cerca de 30% em 2025. “Nos últimos 45 anos nunca vimos tantos concorrentes fecharem.”

Enquanto operadores independentes reduziram operações ou encerraram atividades, a iGUi manteve estabilidade na rede. A empresa conta com cerca de 1.220 unidades no mundo e presença em mais de 50 países.

2026 começa melhor

Janeiro trouxe surpresa positiva, com alta de 4% nas vendas, impulsionada pelas ondas de calor. Mesmo assim, o discurso segue cauteloso.

“Vamos ter que conviver com essa realidade. O cenário de bens de capital não muda de um ano para o outro", diz o CEO.

Para 2026, a expectativa é estabilidade com crescimento moderado no número de lojas, além de campanhas promocionais mais intensas e uso maior de inteligência artificial no marketing.

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